Para Stefanini, aumento no imposto para mercado de TI é avassalador

Por Redação | 29 de Junho de 2015 às 10h42

Marco Stefanini, CEO de uma das principais empresas de tecnologia da informação do Brasil, que carrega seu sobrenome, está se sentindo injustiçado. Para ele, o aumento de 2% para 4,5% na alíquota de tributos sobre o mercado de TI terá um efeito avassalador e vem como uma forma de penalização para um segmento que, na visão dele, tem feito tudo corretamente até então.

Em entrevista, ele afirma que as mudanças na desoneração, aprovadas na última quarta-feira (24) pela Câmara dos Deputados, terão impacto bastante significativo sobre o lucro líquido das empresas, que, atualmente, varia de 3% a 4%. O aumento não poderá ser repassado para os clientes, devido à crise no país que está freando todos os investimentos e, sendo assim, são as próprias companhias do ramo de TI que terão que arcar com a conta.

Além do faturamento, Stefanini acredita que o impacto do aumento nos tributos não será imediato, mas virá no longo prazo, nos projetos de grande escala e também naqueles focados em ampliar a infraestrutura e preparar o país significativamente para os desafios que estão por vir.

As áreas de software e serviços são as que mais têm a perder, já que a ideia é que o mesmo movimento que aconteceu lá fora comece a rolar por aqui também – o outsourcing para países como a China e a Índia, que têm uma carga tributária mais amistosa e mão-de-obra barata. E aí, o Brasil só tem a perder.

Apesar do ar caótico, o executivo não se mostra pessimista e diz que existem soluções. A principal delas é brigar para que as empresas de tecnologia da informação sejam incluídas no mesmo regime de exceções que companhias de alimentos, de mídia, call centers ou o setor automotivo, por exemplo. Todos têm alíquotas um pouco inferiores às que foram impostas ao restante.

Mas mesmo isso pode acabar não sendo tarefa fácil, já que, para Stefanini, não existe uma visão clara sobre o mercado por aqueles que promovem as políticas públicas. O CEO reclama da falta de atenção ao segmento e também da ausência de uma noção de que permitir os investimentos e reduzir a alíquota de tais setores contribui não apenas para a prosperidade das próprias companhias, mas também coloca o Brasil em uma posição mais competitiva no cenário internacional.

A mudança nas regras de desoneração é mais uma das tantas medidas de aumento de impostos que vem sendo tomadas pelo governo federal para conter a crise. O aumento na alíquota substitui termos de benefícios fiscais que vinham sendo adotados desde 2011 e que, para muitas companhias e até mesmo setores da própria administração, eram tratadas como permanentes.

Mas não foi bem isso o que aconteceu. Os números que apontam uma redução de R$ 25 bilhões ao ano nas arrecadações do Tesouro levaram a Câmara a rever as regras. Alguns segmentos, como os já citados, tiveram um aumento menor, mas, em praticamente todos os casos, a alíquota foi dobrada, o que deve reduzir pela metade as perdas em termos de arrecadação ainda neste ano.

Fonte: Convergência Digital

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.