Para SLI Systems, varejo online do Brasil ainda subestima ferramentas de busca

Por Rafael Romer | 05.05.2015 às 14:25

No final de 2013, quando o Canaltech viajou para o outro lado do mundo para bater um papo com algumas empresas de tecnologia da Nova Zelândia, uma das visitadas foi a SLI Systems, uma companhia de soluções de mecanismos de busca inteligentes que ocupava todo o segundo andar do Epic Hub, um centro de inovação de alta tecnologia na cidade de Christchurch.

Na ocasião, o CEO e co-fundador da SLI, Shaun Ryan, falou sobre o foco da empresa no mercado brasileiro, onde a companhia já trabalhava fornecendo sua solução de busca inteligente para o varejo online de companhias como Centauro, Ponto Frio e Saraiva.

Na época, 5% do total dos negócios da SLI estava no Brasil. Um ano e meio depois, o interesse da empresa no mercado nacional só se solidificou. Agora, o país já representa cerca de 10% do total de negócios da SLI System e é um dos cinco maiores mercados globais para a companhia.

Mas em entrevista ao Canaltech em passagem pelo Brasil, o diretor de marketing da companhia, Tim Callan, afirmou que esse é só o começo: o mercado brasileiro de e-commerce é vasto, e a companhia enxerga ainda multiplas oportunidades para crescer no país conforme o setor avança, mesmo com parte dos varejistas ainda não entendendo a importância de ferramentas de busca em seus sites.

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A empresa hoje desenvolve uma série de soluções ao redor de sua plataforma principal de busca inteligente, a Learning Search. Com a ferramenta da empresa, mecanismos de busca são capazes de aprender com cada item pesquisado pelo usuário, dando destaque aos resultados de produtos mais populares e relevantes de acordo com o perfil do usuário.

"Muitos varejistas online ainda não entendem isso, eles acreditam que todos os consumidores são igualmente importantes, parte do que nós estamos tentando passar para o mercado é que isso não é verdade", disse. "Há diferentes características em visitantes que podem gerar muito ou pouco dinheiro para o negócio. E você pode segmentá-los por essas características e focar nas pessoas que realmente trazem o dinheiro".

De acordo com dados de um levantamento da SLI Systems realizado no final do ano passado entre sua base de cerca de mil clientes, os visitantes "buscadores" compram mais e gastam mais dentro de sites de e-commerce: em média, consumidores que fazem buscas dentro dos sites são 2,7 vezes mais propícios a transformar uma visita em uma compra, além de gastarem em média 11% mais do que os visitantes que não fazem buscas. Após a implementação das soluções da empresa, os clientes tipicamente veem um acréscimo de 5% a 20% no aumento de vendas.

No Brasil, no entanto, o executivo afirma que ainda vê uma grande quantidade de varejistas online que não consideram o impacto que um sistema de buscas eficiente pode ter no negócio. "Quando vamos ao mercado, a maior parte das pessoas ainda não pensou nisso", avalia. "Ainda há muito potencial para que essa categoria de tecnologia se torne difundida e significativa para o varejo online no Brasil".

A empresa não abre os números de suas as expectativas de crescimento para o Brasil nos próximos anos, mas avalia que o varejo online brasileiro deva continuar crescendo na casa dos dois dígitos até 2018 e mantém interesse em avançar entre áreas populares no país, como moda, saúde e beleza e eletrodomésticos.

"Esse é um mercado mais novo para o e-market, então ainda estamos passando por aquela fase de crescimento acelerado, como nós vimos há uns dez anos nos Estados Unidos. E essa tendência é forte o suficiente para sustentar até a dificuldade macroeconômica do país", disse.

Hoje, a operação brasileira da SLI Systems é feita através do parceiro de negócios local eNext, mas comandada através do escritório de San José da empresa, na Califórnia. Nos planos da companhia está a expansão de um time de marketing dedicado para a região sul-americana, mas ainda sem previsão de abertura de um escritório próprio no Brasil. "Nós temos planos, mas não podemos expandir até estarmos prontos", explicou. "Mas em longo prazo, o plano é termos um escritório no Brasil gerenciando a América do Sul".