Para diretor de “Steve Jobs”, empresas podem ser mais poderosas que governos

Por Redação | 08.10.2015 às 09:42

A próxima cinebiografia do fundador da Apple, “Steve Jobs”, está longe do tom respeitoso e de homenagem do filme anterior protagonizado por Ashton Kutcher. A ideia do longa é mostrar o homem por trás do mito e da empresa, uma necessidade que, para o diretor Danny Boyle, é essencial na medida em que companhias de tecnologia se tornam cada vez mais influente no cotidiano das pessoas e chegam a ter um poder maior do que o de muitos governos.

Durante entrevistas para divulgação do filme, Boyle rebateu comentários feitos pelo CEO atual da Apple, Tim Cook, que sugeriu que o lançamento de dois filmes sobre Steve Jobs em um período de tempo tão curto seria “oportunismo”. Para o cineasta, é exatamente o contrário, e escritores, jornalistas, diretores e a indústria têm a obrigação de refletirem essa nova realidade.

“Essas companhias são tão poderosas que governos estão fugindo assustados”, disse ele. Na visão do diretor, nomes como Apple, Google e Facebook são a nova força a ser encarada, ocupando o espaço que antes era de empresas farmacêuticas ou petrolíferas. O acesso às informações das pessoas – dadas de bom grado por elas mesmas –, a influência nas relações interpessoais e a forma como tais produtos influenciam no dia-a-dia são apenas algumas facetas desse cenário.

A visão de Danny Boyle foi, em muito, influenciada por uma outra obra, “O Círculo”, de Dave Eggers, na qual uma grande empresa de tecnologia tem como principal produto uma câmera capaz de realizar streaming ao vivo durante as 24 horas por dia. O uso do equipamento transforma a vida pública das pessoas, enquanto a companhia em questão leva como lema duas frases: “compartilhar é se importar” e “privacidade é roubo”.

O diretor havia acabado de ler o livro quando recebeu o script de “Steve Jobs” para revisar. O texto, escrito por Aaron Sorkin e produzido por Scott Rudin, se passa nos bastidores de três grandes momentos da Apple e foca também nos conflitos pessoais do fundador da Apple, como a demissão da empresa que ajudou a iniciar e também o relacionamento com sua filha.

Carregado de diálogo e com poucos personagens, o longa representou um desafio para Boyle, que teve que trabalhar para entregar todo esse papo de forma dinâmica e facilmente entendível em uma película de duas horas. Além disso, insistiu em realizar as filmagens em São Francisco, palco de muitos dos eventos mostrados nas cenas, de forma a trazer mais autenticidade.

A estreia de “Steve Jobs” está marcada para o dia 21 de janeiro no Brasil. No elenco estão Michael Fassbender, no papel principal, ao lado de Kate Winslet, Seth Rogen, Katherine Waterston e Jeff Daniels.

Fonte: Hollywood Reporter