Para Diretor da Google Play, interação por voz será um dos futuros de apps

Por Rafael Romer | 10 de Novembro de 2016 às 18h02

Desde o lançamento do primeiro iPhone, em 2007, os aplicativos foram uma das principais forças por trás da popularização dos smartphones, povoando dispositivos móveis com serviços, jogos e ferramentas para ajudar e entreter usuários no dia-a-dia.

Com o amadurecimento e evolução da competição nesse mercado, no entanto, a retenção de usuários em um app instalado tem se tornado uma tarefa cada vez mais difícil para desenvolvedores.
Estimativas de mercado, como uma pesquisa realizada pela empresa de analytics AppsFlyer, apontam que apenas cerca de 3% dos aplicativos Android e iOS continuam instalados em um smartphones 30 dias após o download.

Nos últimos meses, no entanto, iniciativas como o uso de chat bots em serviços como o Messenger, do Facebook, tem mostrado possíveis alternativas na interação entre usuários e serviços.
Para muitas empresas, a tecnologia teria o potencial de substituir o uso de aplicações tradicionais em smartphones, criando plataformas unificadas que concentrem vários serviços em um só ponto de contato e dispensando a necessidade de um app por serviço ou funcionalidade.

No Brasil para um evento junto a desenvolvedores do ecossistema Android, Mark Bennett, Diretor Internacional do Google Play, avalia que as interfaces de voz têm hoje o potencial para transformar a forma como interagimos com apps, substituindo aplicações tradicionais em alguns casos de uso.

"Algumas destas interações poderão ser feitas por voz, mas isso vai variar por mercado e pelo hardware que os usuários têm", comentou o executivo, citando como exemplo o ato de pedir um taxi ou Uber.

Parte dos esforços do Google já têm ido nesta direção há algum tempo. Hoje, 20% dos comandos de usuários já são feitos por voz na plataforma e iniciativas como o Project Soli, que está desenvolvendo uma interface de comandos por gestos, exploram alternativas "além do click" que podem orientar o futuro de apps.

O recém-anunciado assistente Google Home, talvez, seja uma das provas mais concretas disso. Nele, já é possível a interação com aplicações como Netflix diretamente através de comandos de voz, o que libera o usuário de ter que interagir diretamente com o app.

Bennett permanece, no entanto, confiante de que a economia de aplicativos seguirá a ter um crescimento positivo e que experiências mais profundas de interação ainda exigirão um app nativo para serem completadas.

"Algumas jornadas do consumidor poderão ser bem suportadas bem por esse tipo de interface conversacional ou por interação de busca, mas ainda acredito que muitas experiências mais profundas continuarão indo para um app nativo", comentou. "Mas conforme as tecnologias avançam, será fascinante ver como os desenvolvedores vão criar novas formas de interação".

Para Mark Bennett, interfaces de voz são uma das possibilidades para interação com apps no futuro (foto: Alê Frata/Divulgação)

Mais qualidade, por favor, devs

A evolução de interfaces alternativas de contato com serviços não significa, é claro, que a empresa deve parar de estimular o mercado de aplicações para a plataforma o Android. O Google Play continua crescendo e, só no ano passado, viu 65 bilhões de instalações de apps. Do crescimento projetado para os próximos anos, cerca de 80% deverá vir de mercados em desenvolvimento, como Índia e Brasil.

A mensagem principal do Google para desenvolvedores garantirem esse crescimento agora é bem clara: "qualidade é a primeira promessa de sucesso", nas palavras de Bennett.

De forma geral, a plataforma iOS ainda é vista como um ambiente com apps mais "bem acabados", que também costumam dar mais retorno financeiro a seus desenvolvedores do que contrapartes no Android.

O Google tem buscado combater essa diferença, seja através de esforços internos, como mitigar as diferentes experiências vindas da fragmentação do Android, ou externos, como novas ferramentas para desenvolvedores.

Em maio, durante seu evento para desenvolvedores Google I/O, por exemplo, a empresa lançou uma série de novas ferramentas para de desenvolvimento para auxiliar produtores de app, incluindo uma opção de teste beta de apps e ferramentas gratuitas de analytics, que já são utilizadas por 70% dos devs do Google Play.

As funções também já tem ganhado tração entre devs brasileiros que, de acordo com Regina Chamma, Diretora da Google Play Store para a América Latina, têm avançado considerável na qualidade das aplicações produzidas – passando de apps "mais ou menos" para serviços prontos para a exportação.

"Muito desenvolvedores acham que vão crescer organicamente, mas isso é muito difícil. Há muita competição, bons apps, muitas pessoas boas desenvolvendo apps aqui e no mundo todo", avaliou. "Nós estamos dizendo: invistam em qualidade no primeiro lugar, garantam que o app funciona bem, e então construam uma estratégia para aquisição de usuários".

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