Para Cisco, novo desafio de empresas é aprender como monetizar a IoT

Por Rafael Romer | 15 de Junho de 2016 às 10h05

A Internet da Coisas (IoT) não é mais uma tendência do futuro: hoje, empresas de diversos setores já possuem sistemas como medidores inteligentes, aplicações e sensores conectados implementados em ambientes de teste ou produção e influenciando diretamente seus negócios.

Mas na avaliação da Cisco Brasil, essa ainda é apenas a primeira fase da IoT, que consiste em adaptar antigas soluções offline para novos ambientes conectados, com o objetivo de ganhar eficiência e reduzir custos dentro da empresa. O verdadeiro desafio para as empresas vem agora, quando organizações deverão aprender a tirar valor destes investimentos em IoT através da coleta e monetização de dados, com o uso de ferramentas de análise de dados.

"A grande promessa da IoT é ter um valor que, a partir do momento que você faz um investimento, começa a criar uma segunda fonte de receita para o dado que você gerou", explicou Amri Tarsis, diretor de IoT da Cisco para a América Latina.

A ideia é que cada vez mais organizações passarão a adotar o conceito de "negócios de plataforma", um modelo similar a empresas como Facebook, Uber e Airbnb, que funcionam como intermediários entre fornecedores e consumidores, baseando seus serviços na coleta de dados e intermediação destas informações. Agora que as coisas já estão conectadas, a questão será como fazer o melhor uso destas conexões e gerar novas oportunidades de negócios.

"Nesse processo de digitalização, as empresas vão começar a entender que o negócio de plataforma para conectar vários fornecedores de informação e consumidores de informação é um grande negócio e vão tentar expandir suas fronteiras de atuação", comentou o executivo.

A realidade, no entanto, é que empresas ainda tropeçam nessa lógica. Tarsis exemplifica com o caso de uma empresa responsável pela gestão inteligente de água em Búzios, no Rio de Janeiro, que recentemente compartilhou seu case de aplicação de IoT em um dos fóruns da Cisco.

Para evitar surpresas durante os picos de visitantes na cidade durante o período de alta temporada, a organização decidiu instalar por si própria um sistema de controle de tráfego nas vias que levam a cidade para a medição do fluxo de carros que chegam à cidade - uma tarefa que poderia ser resolvida com uma aplicação através dos negócios de plataforma de forma mais barata e simples.

"É um problema que a IoT tem aspiração de resolver", avaliou. "Neste caso, por exemplo, faria muito mais sentido que ele comprasse essa informação de alguém que faz o controle de tráfego para criar um input no sistema de água do que ele próprio investir no controle de tráfego".

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