Para Cisco, empresas devem se preparar para transformar produtos em serviços

Por Rafael Romer | 12.07.2016 às 08:21
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

*De Las Vegas

Já há algum tempo, a Internet das Coisas (IoT) tem sido uma das expressões favoritas das gigantes da indústria da tecnologia. Mas, para grande parte das pequenas e médias empresas, o verdadeiro impacto do avanço da tendência ainda é subestimado ou mal compreendido.

Para a Cisco, no entanto, a mensagem é clara: o maior potencial transformacional da IoT está entre empresas, no setor B2B, onde produtos estão se tornando serviços, criando mudanças e novas oportunidades para companhias evoluírem seus modelos de negócio.

"Cada empresa deve olhar para seus produtos e se questionar como pegar tecnologias digitais e de conectividade para melhorá-las", comentou Rowan Trollope, gerente geral e vice-presidente do grupo de Internet das Coisas e aplicações da Cisco, durante a abertura do Cisco Live, maior evento da empresa que ocorre nesta semana em Las Vegas. "O poder desta próxima onda está na transformação de um objeto mecânico em um objeto inteligente e conectado - ou seja, em um serviço".

Segundo o executivo, um dos exemplos mais latentes dessas transformações é na indústria automobilística. Historicamente, o setor sempre baseou seu modelo de negócio na simples venda de um produto, mas agora precisa se adaptar ao modelo trazido pelo carro conectado e por empresas como a Tesla, no qual o suporte da evolução constante do produto como um serviço é a garantia do engajamento com o motorista a longo prazo, de novas possibilidades de receita e avanço do negócio através da coleta e mineração dos dados de usuários.

Internamente, no entanto, essa migração de produtos para serviços não será uma tarefa fácil. De acordo com Trollope, o primeiro passo do processo é transformar a tecnológica da empresa, que deve adotar infraestruturas seguras para garantir o suporte a dispositivos conectados e a transação de dados que passam por eles.

Em seguida, organizações precisam repensar seus próprios modelos de negócio e de gerenciamento de produtos, que devem ser transformados de uma lógica de venda simples para um modelo de receitas recorrentes, suportadas pela evolução de ofertas como serviço.

Por fim, é necessária ainda uma transformação organizacional interna que torne os times de TI em parte da estratégia de negócios da empresa, responsável por sentar junto aos tomadores de decisão para conversar sobre impactos e potencial para adoção de novas tecnologias que alavanquem mais eficiência e uma melhor entrega de produto e serviços.

Cisco Live

Para Trollope, indústria automobilística é um dos maiores exemplos da transformação de negócio trazida pela Internet das Coisas (foto: Rafael Romer/Canaltech)

Processo interno

O alerta da empresa para a transformação que está sendo trazida pelo avanço da conexão de novos dispositivos não é à toa. De acordo com o próprio executivo, o movimento da tecnologia em direção a IoT é a nova "big thing" para a companhia na próxima década, que quer se posicionar como a plataforma que vai suportar diferentes indústrias e verticais que passam pela transformação.

Um dos exemplos mais recentes desse movimento da gigante é a aquisição da empresa de serviços de IoT em nuvem Jasper, completada em março por US$ 1,4 bilhão. A companhia é uma das 15 novas empresas adquiridas pela Cisco nos últimos 12 meses sob o comando do CEO Chuck Robbins, todas focadas em áreas como cloud e IoT. Sob a Cisco, a Jasper possui hoje 31 milhões de "coisas" conectadas em sua plataforma e acelera a taxas de 1 milhão de novos dispositivos e 120 novos clientes por mês.

Nos resultados trimestrais mais recentes, a empresa já anunciou que 28% de suas receitas já provêm de fontes recorrentes vindas de serviços, que devem gradualmente continuar avançando na participação no lucro total da companhia.

*O repórter viajou a convite da Cisco.