Para AWS, governos latino-americanos precisam de modelos de aquisição de nuvem

Por Rafael Romer | 05.12.2016 às 14:29
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

O avanço continuado da adoção de serviços e infraestrutura de nuvem pelo setor público de países latino-americanos depende da criação de estratégias claras para aquisição destas soluções, avaliam executivos da gigante do setor Amazon Web Services (AWS).

"Criar modelos de adoção é necessário porque governos têm que evitar risco, quando você tem um modelo é mais fácil fazer isso de forma rápida", explicou Teresa Carlson, vice-presidente global da AWS para o setor público, durante o AWS re:Invent, maior evento global da empresa, realizado na última semana, em Las Vegas.

A adoção de um framework de aquisição de nuvem foi importante para o setor público dos Estados Unidos, país que está hoje, em média, entre 12 e 36 meses à frente do restante do mundo na implementação de cloud. Na América Latina, Chile e Colômbia são vistos como a vanguarda no setor, com seus próprios modelos definidos que chamam a atenção da AWS, que abrirá novas representações nos países a partir de 2017.

"O Brasil está se movendo rápido nessa direção", avaliou Jeffrey Kratz, líder de da AWS para setor público na América Latina e Canadá. "Estive em Brasilia há pouca semanas para reuniões com ministérios e a profundidade da discussão é mais mais o mais sofisticada do que em anos anteriores".

Estágios iniciais de adoção

Ao lado de grandes empresas, o setor público é visto hoje pela AWS como uma das novas fronteiras para a expansão de seus negócios. Na avaliação do próprio CEO da companhia, Andy Jessy, ainda estamos apenas nos "estágios iniciais" da adoção de nuvem por órgãos governamentais – mesmo dentro dos Estados Unidos.

Durante o AWS re:Invent, a gigante fez questão de colocar organizações como a Agência Espacial Norte-Americana (NASA) e o Governo Federal dos Estados Unidos no palco para mostrar algumas das inciativas públicas em produção através de seus serviços.

Mas apesar do tamanho e potencial do mercado doméstico norte-americano, a empresa já tem também prestado atenção fora de casa. Com uma região própria de nuvem em São Paulo há cinco anos, a AWS reforçou sua atuação junto a governos latino-americanos nos dois anos, se aproximando mais de autoridades locais para esclarecer aspectos sobre o funcionamento e o modelo de aquisição de serviços de nuvem.

Desde então a conversa sobre cloud tem amadurecido e evoluído de forma "surpreendentemente rápida", com uma série de novos acordos foram fechados com entidades públicas em diferentes países latino-americanos.

A AWS não revela números sobre a operação local, mas cita alguns casos de aplicação e clientes relevantes da região: do Ministério do Turismo do México, que colocou seu site na cloud para redução de tempo de inatividade, à Prefeitura de Buenos Aires, que está usando ferramentas de Internet das Coisas (IoT) em um novo serviço de taxi por aplicativos.

No Brasil, a companhia destaca uma parceria com o Sebrae, que criou uma plataforma de auxilio a empreendedores e startups; o esforço recente do Ministério do Planejamento, que implementou uma aplicação em nuvem para engajar 400 órgãos federais em um esforço conjunto contra os vírus da dengue, zika e chikungunya; e a retomada do investimento de prefeituras em soluções da empresa – em maio deste ano, por exemplo, a empresa registrou 39 municípios rodando sistemas de gestão (ERPs) em sua cloud.

"O Brasil está se movendo mais rápido do que eu antecipava", comentou Kratz. "Nós estamos vendo um nível de adoção mais veloz em estados e municípios, o que é reflexo de alguns acontecimentos no nível federal nos últimos 24 meses".