Pandora precisa se reinventar se quiser sobreviver no mercado de streaming

Por Redação | 22.07.2016 às 10:40

A Pandora, dona de um dos mais populares serviços de streaming de música na atualidade, está enfrentando dificuldades em se manter como um serviço rentável diante da grande concorrência de serviços similares, como o Spotify, Apple Music e Google Play Music. Ao longo dos últimos meses, a empresa tem perdido valor de mercado e recentemente divulgou seu relatório financeiro revelando uma queda no número de usuários e perspectivas pouco animadoras para o futuro.

No segundo trimestre do ano passado, a plataforma homônima da empresa contava com 79,4 milhões de usuários, número que caiu para 78,1 milhões um ano depois. Apesar do declínio e da queda nos rendimentos, a empresa rejeitou uma proposta de aquisição de US$ 3,39 bilhões da Liberty Media, o que significava uma oferta de US$ 15 por ação. A negativa aconteceu porque os executivos acreditam que o valor da companhia é de US$ 20 por ação.

A Pandora tornou-se um dos primeiros serviços populares de streaming de músicas, oferecendo uma experiência única que atraiu milhões de usuários ao redor do mundo. No entanto, a ausência do serviço em dispositivos móveis permitiu que rivais conquistassem parte de seu público, além de oferecerem uma experiência mais abrangente e voltada para a descoberta de novas músicas e artistas. Com o tempo, os algoritmos evoluíram e a análise de dados tornou-se fundamental para serviços desse tipo. O Spotify, por exemplo, utiliza os dados gerados pelos ouvintes para apresentar playlists personalizadas e indicar artistas e músicas que o usuário possa se interessar. A Pandora, no entanto, perdeu tempo em evoluir seu serviço e tem colhido o preço de não ser mais vista como um grande ícone de serviço de streaming de música.

Ações Pandora

A sua atual situação no mercado de streaming e seus números pouco animadores indicam que a empresa precisa encontrar uma nova maneira de diversificar sua receita. Atualmente, ela conta apenas com fontes de receita: a publicidade e os usuários pagantes, o que não têm sido suficientes para fazer a empresa gerar lucratividade e voltar a crescer. Assim, com a aquisição da Ticketfly por US$ 450 milhões no ano passado e a compra de ativos da Rdio por US$ 75 milhões, a companhia pretende inserir recursos de transmissão ao vivo e ampliar sua experiência on-demand. Apesar do potencial das novidades, nada garante que elas serão suficientes para reverter o atual quadro da companhia.

Esse cenário de incertezas e o fato de que a empresa valia três vezes mais do que se imagina na atualidade acaba gerando um cenário de urgência para a plataforma. Ao longo dos últimos anos, a companhia viu suas ações caírem cerca de 20%, apresentando grandes semelhanças com outras empresas que passaram por períodos de estagnação e crises de rentabilidade. Para muitos, a única forma de a Pandora sobreviver ao voraz mercado de streaming de música (que já levou a Rdio a falência) é ser vendida para uma empresa maior que possa oferecer suporte financeiro e estrutural para a realização de mudanças mais profundas até que elas possam trazer resultados positivos a médio e longo prazo.

Muitas empresas que evoluíram rapidamente no início e depois passaram por crises de crescimento e rentabilidade tiveram de diversificar seus serviços para voltarem a crescer. O Dropbox, por exemplo, passou a focar em serviços empresariais ao invés de destinar grande parte de seus recursos aos usuários comuns. A Microsoft abriu seus serviços para diferentes plataformas e dispositivos móveis, deixando de limitá-los ao Windows. A Apple também tem trabalhado para diversificar suas fontes de receita à medida que as vendas de smartphones já não trazem mais os mesmos resultados de antes. Para a Pandora, a solução é se adaptar para sobreviver.

Via TechCrunch