Pagamento de impostos à Irlanda deve ter grande impacto nos caixas da Apple

Por Redação | 30.08.2016 às 13:01

Em uma questão tributária que ainda está em andamento, a Apple pode se ver obrigada a pagar US$ 14,5 bilhões em impostos devidos à Irlanda, que teriam sido fruto de um acordo de isenção fiscal considerado ilegal pela União Europeia. O montante, que pode parecer pequeno diante de uma companhia avaliada em mais de US$ 230 bilhões, na verdade pode representar um grande golpe no caixa da companhia.

É quando se avalia os números recentes, e não a avaliação geral da empresa, que se percebe o rombo que tal pagamento pode causar. O total de US$ 14,5 bilhões, por exemplo, é pouco menos do que o dobro do lucro que a Apple obteve no segundo trimestre de 2016, quando registrou US$ 7,8 bilhões em ganhos. Ou seja, mais do que suficiente para, quem sabe, até mesmo resultar em um relatório financeiro negativo em algum momento, algo que a Maçã não apresenta há alguns anos.

Outros números também podem ser levados em conta aqui. Em 2015, a Apple apresentou seu lucro recorde em um único ano fiscal, muito por conta das vendas explosivas do iPhone 6 em todo o mundo. Foram US$ 53,7 bilhões em ganhos. O pagamento dos tributos devidos comeria mais de 27% desse total. É o equivalente a mais de 24 milhões de iPhones – quase metade do total vendido no primeiro trimestre deste ano – e suficiente para dar cinco unidades do celular para cada habitante da Irlanda.

Levando tudo isso em conta, dá para entender porque a Apple está lutando contra a decisão, apelando judicialmente contra ela. Além disso, a empresa tomou um passo pouco usual e também publicou uma carta aberta de seu CEO, Tim Cook, aos irlandeses, lembrando a história da companhia com o país. Foi lá, por exemplo, que a Maçã criou sua primeira fábrica fora dos Estados Unidos e, ainda hoje, tem cerca de seis mil pessoas trabalhando por lá. A empresa é a maior pagadora de impostos da Irlanda.

Para a Comissão Europeia, entretanto, a companhia falhou com suas obrigações tributárias entre 2003 e 2011, tendo usufruído por anos de uma isenção ilegal, que fere os princípios da concorrência livre no território. Não apenas as taxas pagas seriam bem abaixo do que as aplicadas a outras empresas do país, como também estariam abaixo da própria realidade econômica irlandesa, gerando prejuízo aos cofres públicos do país.

Em resposta a essas alegações, Cook disse, ainda na carta aberta, que a União Europeia estaria criando regras inexistentes para o sistema de impostos do país, substituindo leis vigentes por uma visão de como o grupo gostaria que elas fossem, em um ataque claro à soberania da Irlanda. O país também já declarou que não concorda com a decisão. O ministro das finanças Michael Nooman taxou a ordem como uma ameaça à integridade o sistema financeiro, mostrando apoio à Apple e afirmando que vai recorrer da decisão.

Fonte: Business Insider