OTT: um negócio no mundo do vídeo

Por José Otero | 11 de Abril de 2018 às 17h10

Duas décadas atrás, antes do lançamento da primeira rede de Universal Mobile Telecommunication System (UMTS) do mundo, os departamentos de comunicação das empresas batalhavam entre si para identificar qual seria a aplicação que representaria a maior porcentagem dos ingressos nas novas redes. Nestes anos, todas as respostas apontavam para uma nova geração de mensagens de texto interativo que nunca chegaram a cumprir com as expectativas.

Outros que apostaram em videochamadas e enfrentaram a dura realidade de uma baixa penetração de rede que não suportava este serviço com a qualidade necessária. Eram tempos em que a British Telecom contava com uma divisão móvel própria que apresentava em diferentes fóruns planos de negócios onde a telefonia se daria de forma gratuita, como um serviço de valor agregado, e a operadora viveria da utilização de aplicativos por parte dos usuários.

No entanto, continuamos vendo as antigas promessas de grande riqueza em pouco tempo não se materializando. Melhoras em altas velocidades de conexão à Internet das chamadas redes 3G junto a um parque de telefones capazes de se conectar à nova tecnologia foram revertendo o atraso inicial tão característico de toda nova tecnologia.

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Depois, numerosos modelos de negócio e o tempo, esse grande revelador de verdades, deu a razão a quem se inclinava por vídeo como o serviço que inundaria as redes de telecomunicações. A única diferença da realidade atrasada com a do nono visionário é que não era um iMode em esteróides, nem chamadas de vídeo que mudavam a paisagem modificando os hábitos dos usuários. A melhor descrição para definir os serviços de vídeo que dominam as redes é a fragmentação. Temos aqueles por aplicativos criados inicialmente como bate-papos que evoluíram para incluir vídeos, outros que são plataformas corporativas para videoconferências e outros simples vídeos de segurança transmitidos para a sede das empresas de segurança.

No entanto, o vídeo que mais chama a atenção de todos os atores do setor das tecnologias de informação e comunicação (TIC) é o que proporciona séries, documentários, filmes e todo tipo de entretenimento por meio de uma videoteca virtual que pode ser acessada por demanda. No mundo denominado Netflix, Hulu e Amazon Prime, todos atores não tradicionais no mundo das telecomunicações.

Um aspecto interessante destes três portais é a sua evolução até uma segunda etapa focada na produção de conteúdo. Uma rota que resulta na obtenção de conteúdo exclusivos próprios, que viabilizam uma diversificação de ingressos e oferecem mais liberdade no momento de negociar acordos de conteúdos com produtores tradicionais.

Como todo negócio atrativo que mostra cifras positivas de crescimento, os imitadores não vão tardar a aparecer, cada um com um modelo de negócio e foco distinto. Aqueles que nascem com desejo de algum operador de telecomunicações de não depender de terceiros para a oferta de vídeos aos seus clientes (e incrementar suas unidades geradoras de ingresso no caminho) tratam de utilizar suas diversas plataformas tecnológicas para atrair clientes.

Outras operadoras, com menos recursos, decidem aliar-se com as plataformas globais agregando em seu território conteúdo local para complementar a oferta. Os modelos são tão diversos e criativos como foram no momento do surto das operadoras móveis virtuais há uma década no Estados Unidos.  

Não é a primeira vez que digo neste espaço que o dia somente possui 24 horas e o ritmo com que algumas plataformas estão aumentando sua oferta de vídeos torna quase impossível que um usuário possa utilizar comodamente dois ou três serviços distintos. Como diz uma canção das Antilhas: simplesmente “não há cama para tanta gente”. A pergunta é: qual será o primeiro OTT de vídeo a desaparecer?

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