Orbit: nova plataforma brasileira de crowdfunding vai financiar projetos geek

Por Rafael Romer | 08.03.2016 às 09:08
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Plataformas de financiamento coletivo já não são novidade no Brasil. Depois de explodirem em mercados internacionais, nomes como Kicante e Catarse também trouxeram a tendência para a internet brasileira e hoje são ferramentas poderosas para empreendedores tentarem tirar suas ideias do papel através da ajuda de internautas que simpatizam com uma causa ou produto.

Mas uma nova plataforma brasileira está apostando que ainda existe um mercado pouco atendido pelos crowdfundings atuais e quer se transformar em uma alternativa focada em quem quer dar o start em projetos geeks. Apelidada de Orbit, a ferramenta vai ao ar no próximo dia 28 deste mês com o objetivo de reunir iniciativas nas áreas de desenvolvimento de games, histórias em quadrinhos, livros, animação, cinema e jogos de tabuleiro.

"Nós vemos que o financiamento coletivo está crescendo muito no país, mas, apesar de termos ferramentas consolidadas no mercado brasileiro, ele ainda está no início e não temos nenhuma plataforma formatada para esse tipo de projeto", comentou ao Canaltech Lucas Magno, cofundador e gerente executivo do Orbit. "Muitas vezes, um projeto de um game poderia ter muito sucesso, mas acaba sendo ofuscado por projetos maiores, de outras áreas".

A plataforma foi uma iniciativa incubada dentro da editora especializada em quadrinhos Nebulosa, mas deverá funcionar como um projeto independente da empresa. Ainda assim, a expectativa é que a expertise da companhia em lidar com o público-alvo geek puxe projetos e pessoas dispostas a financiá-los para dentro da Orbit em pouco tempo - criando a massa crítica necessária de iniciativas e usuários para que a plataforma decole.

De acordo com Magno, a Orbit deverá ser lançada com ao menos dez campanhas no ar. Até o final do ano, o serviço espera atingir R$ 1,2 milhões levantados por projetos lançados dentro da plataforma. Os percentuais cobrados pela plataforma como taxa administrativa deverão variar de 8% a 15%, dependendo da modalidade e da duração escolhida pala iniciativa, que poderá se manter no ar por 30, 90 ou até 120 dias.

Assim como outras plataformas, a Orbit terá três opções diferentes de financiamento coletivo: o "Tudo ou Nada", na qual o projeto arrecada todo o valor desejado ou o montante é devolvido aos apoiadores; O "Flexível", no qual o valor arrecadado ficará com o projeto independentemente de ter ou não atingido sua meta; e o "Recorrente", ao estilo da plataforma norte-americana Patreon, na qual os apoiadores contribuem com uma quantia mensal com o projeto.

Na tentativa de angariar mais projetos para o serviço no momento do lançamento, a plataforma também oferecerá consultoria de marketing e assessoria de imprensa gratuita aos projetos que utilizarem o serviço para levantar o orçamento desejado desde o período de pré-lançamento até o final da campanha. A expectativa é que a iniciativa também estimule projetos a utilizarem o Orbit não só para levantar o capital, mas como plataforma de divulgação e validação dos projetos - em especial para iniciativas complexas, como games.

No futuro, a Orbit também deverá se integrar com uma iniciativa ainda não lançada pela Nebulosa, mas já em desenvolvimento. Apelidado de Luneta, o serviço funcionará como um misto de plataforma de streaming para livros, HQs e animações, além de marketplace para venda de produtos digitais. A ideia é que os projetos financiados pelo Orbit, ainda que sejam independentes da Nebulosa, possam ser integrados e comercializados a partir da Luneta quando forem financiados. Ainda não há data confirmada para o lançamento da Luneta.

"Além de gerar projetos e um ecossistema para a Nebulosa, a ideia é ajudar os projetos com a distribuição do material futuramente", comentou Magno.