Oracle lança ERP como serviço no Brasil

Por Leandro Souza | 28.06.2016 às 14:37
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

Um ano depois de abrir o seu data center no Brasil, a Oracle deu o passo seguinte em sua estratégia de ocupar o mercado local com ofertas de aplicações em cloud. Durante evento realizado em São Paulo nesta terça-feira (28), a multinacional lançou sua solução de gestão (ERP) totalmente traduzida para o mercado nacional e hospedada em sua infraestrutura cloud local.

O anúncio foi feito na abertura do Oracle Open World 2016, evento da companhia para o mercado latino-americano, pelo próprio CEO da multinacional, Mark Hurd, que apontou o produto como um divisor de águas na estratégia da empresa em se tornar um player de peso no segmento de aplicações como serviço (SaaS).

"Este é um grande anúncio", fez questão de afirmar Hurd, já que a empresa espera usar o lançamento como principal alavanca de crescimento do mercado de ERP no país. A Oracle ainda luta para ser um player de maior relevância em meio a empresas mais estabelecidas como SAP e Totvs. Segundo dados da FGV, a Totvs ainda domina o mercado local com cerca de 50% e um foco maior nas pequenas e médias empresas, enquanto a SAP tem sua presença maior nas grandes, com 10% do share. A Oracle fica um pouco atrás com 9%, também focada nas companhias maiores.

No quarto trimestre fiscal de 2016, a Oracle registrou um aumento em sua receita de produtos cloud. A empresa conquistou mais de 1.600 novos clientes de software e mais de 2 mil novos clientes de plataforma como serviço no último trimestre fiscal. Segundo o fundador da empresa, Larry Ellison, a expectativa é que os negócios de SaaS e PaaS continuem a crescer "nos próximos anos". Para o ano fiscal de 2017, a empresa projeta um aumento nos negócios de computação em nuvem de mais de 65% — número superior ao crescimento de 52% em 2016.

Segundo o presidente da Oracle para a América Latina, Luis Meisler, a nova oferta de ERP na nuvem será decisiva para o plano de dominar o mercado nacional, incluindo a proposta de se tornar uma companhia acessível para as PMEs.

"Queremos oferecer para a companhia de pequeno porte a mesma solução que grandes empresas como HSBC e General Electric usam em sua gestão. A diferença está apenas no número de usuários e na vontade de crescer destas empresas. Se ela é uma empresa pequena com vontade de crescer, ela é uma candidata a ser nossa cliente", afirmou Meisler, cutucando o modelo de ERP da SAP, que tem o Business One como seu software de entrada e o S/4 Hana como a sua solução para "gente grande" — e com preço de gente grande.

A cutucada na SAP não é de agora. A Oracle, desde que entrou no mercado de ERP, quando comprou as empresas Peoplesoft e JD Edwards há cerca de dez anos, colocou a companhia alemã na sua lista de desafetos. O lançamento de um data center no Brasil no ano passado foi outro ponto desta contenda, onde superou a corrida com a SAP, que prometeu seu centro no país em 2014 e até agora não entregou.

Entretanto, segundo as informações no site nacional da Oracle, os preços ainda não estão dos mais amigáveis para as companhias menores. Por exemplo, o preço mensal por usuário do módulo de finanças do ERP custa US$ 600. Em comparação, soluções do Business One, ERP da SAP voltado às PMEs, saem por preços na faixa dos R$ 500 mensais. Entretanto, Meisler garante que o ERP nacional terá seus preços tabelados em moeda local, assim como a possibilidade de pagamento com cartão de crédito brasileiro. Empresas como AWS e IBM, por exemplo, não oferecem esta opção.

Outra preocupação da Oracle para impulsionar este lançamento estará na parte de canais. De acordo com a companhia, cerca de 25 canais já estão treinados e habilitados para trabalhar com a solução, tanto em implementações em nuvem privada como na nuvem pública da Oracle.

"Estamos conversando há diversas semanas com nosso ecossistema e eles estão empolgados com as oportunidades que surgirão com este novo produto", afirmou Meisler.

A confiança da Oracle no seu ERP como serviço é baseada em diversas razões. Competidores diretos no segmento, como SAP, ainda baseiam seus modelos de entrega de ERP cloud na venda de licenças, diferente do formato "pague-o-quanto-usar" que a Oracle está prometendo. Entretanto, resta saber como os canais da Oracle podem se beneficiar deste sistema, onde as integrações e necessidade de intermediários se torna menor.

"Estamos saindo de um modelo de atualizações monolíticas e foco no código e programações, para uma forma de recursos adicionados frequentemente, em um ritmo fluido de novas capacidades. Acredito que seremos a primeira empresa a fazer isso no mercado", afirma Hurd.