Oracle é mencionada em investigação da Operação Lava Jato

Por Redação | 28 de Julho de 2016 às 15h30

De acordo com uma investigação da Operação Lava Jato conduzida pela Polícia Federal, a Oracle pode estar envolvida no pagamento de propinas em contrato do Banco do Brasil com a Ação Informática Brasil, realizada em 2010. A companhia aparece nas investigações por conta da participação de um ex-executivo da empresa no Brasil durante a negociação dos softwares incluídos no contrato.

Enio Issa e Maurício David Teixeira, ex-sócios da Ação Informática, declararam à Polícia Federal que realizaram o pagamento de R$ 4,9 milhões para a Credencial Construtora Empreendimentos e Representações para o recebimento de uma suposta consultoria no fornecimento de software para o Banco do Brasil, em uma negócio no valor de R$ 53,2 milhões. Os donos da Credencial, Eduardo Aparecido de Meira e Flávio Henrique de Oliveira Macedo, foram presos em maio deste ano durante a 30ª fase da Operação Vício, também pertencente às investigações da Lava Jato. A companhia situada em Sumaré (SP) seria utilizada para intermediar negócios no governo federal e é suspeita de realizar repasses de dinheiro de corrupção envolvendo a Petrobrás para o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu durante o governo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

A Polícia Federal quer descobrir qual foi o destino do dinheiro que a Ação Informática repassou para a Credencial após vencer a licitação e assinar contrato de fornecimento de software para o Banco do Brasil. A Ação Informática disputou a licitação como fornecedora de software da Oracle. Os ex-sócios da Ação confirmaram à PF em depoimento que anteriormente não tinham relação com a Credencial e que pagaram R$ 4,9 milhões à empresa a pedido da Memora Processos Inovadores, que também concorreu a licitação do BB. A reunião que definiu o pagamento do valor à Credencial envolveu um representante da Memora; Teixeira, da Ação Informática; Eduardo Meira, sócio da Credencial; e Geraldo Trigueiro, ex-executivo da Oracle.

De acordo com Teixeira, durante a reunião Trigueiro teria solicitado a participação da Ação na licitação, afirmando "que a Oracle faria as mudanças necessárias para se adaptar ao edital de licitação do Banco do Brasil". Além disso, o representante da Memora pediu que a "Ação deveria remunerar diretamente o consultor" por contas de questões tributárias, sendo necessário ainda a contratação da Credencial. Depois de vencer a licitação, a Ação teria pago comissão para a Memora. A PF suspeita que a reunião e o pagamento da comissão podem ser pistas que sugerem a possibilidade de pagamento de propina no negócio.

Em comunicado oficial, a Oracle afirmou que "está comprometida em conduzir seus negócios com o alto padrão de ética e conformidade" e que existem códigos de conduta para parceiros, funcionários e fornecedores que "proíbem práticas de corrupção". Além disso, a companhia declarou que "investiga alegações de má conduta com seriedade e coopera integralmente com qualquer solicitação de autoridades do governo".

Fonte: Computerworld

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.