ONG denuncia fabricante de iPhone chinesa por más condições de trabalho

Por Redação | 25 de Outubro de 2015 às 12h20

A organização sem fins lucrativos China Labor Watch denunciou na última quinta-feira (22) uma fábrica que opera para a Apple na China que não está oferecendo condições de trabalho aceitáveis para os seus funcionários. A denúncia afirma que os trabalhadores ficam abrigados em dormitórios com superlotação, com mofo e insetos.

A investigação, que foi feita em sigilo, aconteceu na fábrica de iPhones que fica localizada na cidade de Xangai e é operada pela taiwandesa Pegatron Group, sendo a última de uma série de buscas para documentar más condições de trabalho de operários que trabalham em fábricas terceirizadas pela companhia da Maçã.

"Persistem os baixos salários, as longas jornadas, o trabalho não remunerado, as medidas de segurança precárias e as condições de vida desprezíveis", diz o relatório da investigação, que ainda pontua a descoberta de violações de direitos trabalhistas, legais e éticos.

De acordo com a ONG, os operários que fabricam os iPhones ganham apenas um salário mínimo local, o equivalente a US$ 318 ao mês, ou seja, somente US$ 1,85 a hora. "Depois de suas longas jornadas, os trabalhadores pegam um ônibus que em meia hora os leva aos seus dormitórios, onde até 14 pessoas dormem confinadas em um único quarto. O mofo cresce sem controle nas paredes e as camas estão cheias de percevejos. Muitos funcionários estão cobertos de picadas vermelhas", aponta o relatório.

O informe indica ainda que a saúde e a segurança são as questões mais preocupantes, pois a fábrica utiliza muitas substâncias tóxicas, como o mercúrio e o arsênico. "Ninguém diz aos trabalhadores nada sobre a localização desta ou daquela substância no processo de produção ou como fazer para se proteger de sair ferido", diz. Além disso, o relatório citou 23 violações que passam desde a falta de treinamento a equipamentos que não oferecem segurança.

Em 2013, um primeiro relatório havia denunciado as condições de trabalho e, segundo a ONG, praticamente nada melhorou em 2015. O documento relatou apenas algumas "melhorias limitadas" em algumas áreas, como a redução de 63 horas de trabalho semanais para 60, e mudanças no processo de contratação que costumava ser discriminatório.

A Apple ainda não se manifestou sobre as acusações.

Fonte: CNET