Onde está a chance de ouro da Internet?

Por Colaborador externo | 13 de Maio de 2016 às 11h03

Por Nagib Georges Mimassi*

Na década de 80, em torno de 120 mil garimpeiros invadiram Serra Pelada, no Estado do Pará, movidos pelo sonho de enriquecer. Na esperança de encontrar grandes pepitas de ouro, enfrentaram condições adversas e se arriscaram sob um sol escaldante, escadas precárias para explorar barrancos que podiam desabar a qualquer momento e um ar pesado de monóxido de ferro.

Com tantos novos moradores, a região atraiu comerciantes, médicos, motoristas, contadores, engenheiros e muitos outros profissionais que desembarcaram por ali para oferecer seus serviços aos exploradores do metal precioso e ajudar no desenvolvimento da economia local.

Impossível lembrar da história da corrida pelo ouro e não traçar um paralelo com o desenvolvimento da indústria digital. São muitos os desafios para sobreviver no garimpo. E são muitos os que precisam ser enfrentados em um setor em constante transformação e onde a capacidade de inovar é determinante para vencer. Foram poucos os garimpeiros que se tornaram milionários. São poucos os empreendedores que conseguirão encher os cofres ao desbravar as minas da Web.

Mas os que estiverem atentos para vender pás e picaretas, estes sim poderão aproveitar do eclodir de uma nova economia, sustentada pela inovação, para criar negócios que atendam às novas demandas emergentes em um mundo habitado por uma população conectada em alta velocidade, plugada 24X7 nos smartphones e, cada vez mais, em wearable devices.

Fui um dos bandeirantes da Internet brasileira e desde os primórdios venho participando da evolução do ecossistema digital no País e em outros mercados, especialmente nos Estados Unidos, no Vale do Silício, onde tenho o privilégio de acompanhar de perto a gestação e o nascimento de tendências que irão ser o berçário para novos garimpeiros da Web.

Nestes pouco mais de 20 anos, assistimos o fincar de estacas que consolidaram os alicerces do universo de bits e bites. Primeiro foram os provedores de acesso, que ofereciam o passaporte para o desconhecido mundo da tal Internet em conexões discadas lentas, caras e que ocupavam a única linha telefônica da casa.

Depois, com a rápida adesão dos internautas e o crescimento da audiência, veio a guerra dos portais, travada principalmente pelos grandes grupos de mídia. Na sequência, surgiram serviços, como e-mail grátis, chats, ICQ (quem lembra?), disco virtual, games on-line, redes sociais (não dá para esquecer o Orkut) e o comércio eletrônico deu seus primeiros passos com as iniciativas de grandes grupos varejistas, casos do Pão de Açúcar (com o Amelia.com) e da Americanas.com.

E foi somente depois de grandes enxurradas de capital de risco, da explosão da bolha e do fechamento das portas de grandes promessas da nova economia que se criaram as condições para a germinação de startups concebidas em garagens e laboratórios de universidades. O uso de expressões como venture capital, startup, seed capital, series A, investidor-anjo e outras é, aliás, relativamente recente no Brasil, talvez pouco mais de cinco anos.

Embalado por um momento positivo da economia, os empreendedores brasileiros se apressaram em copiar modelos globais de sucesso, principalmente no segmento de e-commerce, com planos de crescer, atrair investimentos e, quem sabe, encontrar uma saída lucrativa com a venda para um grande player internacional.

Nos últimos anos, catalisados pela rápida disseminação dos celulares inteligentes, negócios suportados por apps e direcionados ao mobile passaram a ser a bola da vez, abrindo espaço para serviços que combinam mobilidade, geolocalização e compartilhamento.

Novas tecnologias e o desenvolvimento da indústria de software estão também sustentando a evolução de projetos baseados em Big Data, Internet das Coisas, inteligência artificial e outras inovações nascentes nas próximas décadas que nem mesmo o mais visionário dos profetas é capaz de prever.

Ainda há muito ouro para escavar na Internet. Mas é bom lembrar que ganha dinheiro mesmo quem tem persistência para lapidar novas oportunidades ainda inexploradas e com potencial de escalar globalmente. E não aqueles que tentam copiar modelos de empresas americanas com a esperança de venham a ser comprados por elas.

Vale lembrar que quem inova e é pioneiro tem maiores chances de conquistar a liderança em um mundo cada vez mais sem fronteiras. E você? Vai perder esta chance de ouro?

*CEO da RockSpoon, apaixonado por tecnologia e pelo Brasil, onde empreende no mercado de Internet desde 1999.

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