Obama vai destinar US$ 4 bilhões ao ensino de computação nos Estados Unidos

Por Joyce Macedo | 03 de Fevereiro de 2016 às 14h39

No último sábado (30), o presidente Barack Obama anunciou que quer investir US$ 4 bilhões no estudo de Ciência da Computação, a fim de impulsionar a formação de futuros profissionais da área entre os alunos das escolas públicas.

A iniciativa intitulada "Computer Science for All" (CS For All) visa capacitar todos os estudantes norte-americanos, do ensino primário até o ensino médio, para aprender Ciência da Computação e adquirir habilidades de pensamento computacional que precisam para serem futuros criadores na economia digital, e não apenas consumidores.

"Nossa economia está mudando rapidamente, e educadores e líderes empresariais estão cada vez mais reconhecendo que a ciência da computação é a nova ‘habilidade básica’ necessária para as oportunidades econômicas e da mobilidade social", escreveu Megan Smith, diretora de tecnologia dos Estados Unidos, no blog da Casa Branca.

Esse financiamento, se aprovado, estaria disponível para qualquer estado que ofereceu um plano abrangente de cinco anos para obter qualidade de cursos de ciência da computação em mais escolas. Os fundos devem ser repartidos entre esses estados ao longo de um período de três anos.

O projeto também busca uma quantia adicional de US$ 100 milhões, que deve ser distribuída diretamente para os distritos escolares e usada para o treinamento de professores, desenvolvimento de material de aula e compra de equipamentos para capacitar as escolas.

Atualmente, apenas 25% das escolas públicas de ensino primário e secundário dos Estados Unidos oferecem aulas de ciência da computação com direito a programação e codificação. A administração de Obama também diz que os pais reconhecem cada vez mais essa necessidade, com nove entre 10 pais entrevistados dizendo que querem o ensino de ciência da computação na escola de seu filho.

Além do financiamento para estados e municípios, a iniciativa proposta pelo presidente pede US$ 135 milhões em financiamento por parte da Fundação Nacional da Ciência (NSF) e da Corporação para o Serviço Comunitário Nacional (CNCS).

No entanto, para que todo esse projeto entre em vigor, ainda é preciso que o Congresso aprove o orçamento de Obama para 2017. Dito isto, a iniciativa já conta com o apoio de empresas de tecnologia como Google, Salesforce e Microsoft, bem como de todas as cidades dos Estados Unidos.

Repercussão da proposta

Mas, enquanto a Casa Branca está incitando as empresas privadas e filantrópicas a fazer mais para expandir a formação de ciência da computação em escolas públicas, Brad Smith, presidente da Microsoft, acredita que o governo deve ser o principal condutor.

"Precisamos claramente que o setor de tecnologia continue fazendo mais", disse ele. "Mas não há nenhuma maneira do setor privado ou filantropia preencher essa lacuna por si só. Precisamos de mais financiamento público e precisamos de mais financiamento federal", completou.

Entre os funcionários da administração do governo dos Estados Unidos, tem havido algum reconhecimento de que os gastos federais por si só não serão suficientes para ensinar ciência da computação para todos os alunos de entidades públicas do país. "Este é um investimento para acelerar os esforços estaduais", disse John B. King Jr., secretário da educação. "Ele terá de ser acompanhado por investimentos contínuos por parte dos estados e distritos".

Smith também observou que os Estados Unidos estão ficando para trás na produção de trabalhadores talentosos capazes de preencher cargos na área. Ele observou que meio milhão de novos postos de trabalho na próxima década será criado para exigir conhecimento em ciência da computação, da agricultura, passando pelo setor de fabricação e de formas mais tradicionais de tecnologia da informação.

Por outro lado, alguns críticos não receberam bem a proposta de incentivo de Obama. "Isso me deixa com raiva", disse Sara Blackwell, uma advogada da Flórida que representa alguns trabalhadores demitidos da área de TI da Disney. "Milhares de trabalhadores norte-americanos de tecnologia estão sendo demitidos e substituídos por parte das empresas que estão oferecendo dinheiro para ajudar a educar os americanos", disse Blackwell. "Isso passa a mensagem de que os americanos não são educados o suficiente para fazer esses trabalhos, o que é totalmente incorreto e ofensivo", completou.