O novo papel das universidades

Por Fernando D´Angelo | 13 de Maio de 2016 às 18h54
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Transferir conhecimento técnico, auxiliar na formação sócio-emocional, aproximar o aluno do mundo corporativo e fomentar a gestão da inovação e empreendedorismo são algumas competências que fazem parte do novo papel das universidades.

Em uma conversa fascinante com Wellington Cruz, professor de Sustentabilidade e Gestão da Inovação na Universidade São Judas Tadeu (SP), e José Roberto Auricchio, professor de Administração na mesma instituição, tive a oportunidade de discutir sobre esse assunto e o futuro das universidades.

Abaixo, 4 tópicos que me chamaram a atenção neste bate-papo:

Preparação para a vida, e não para o mercado de trabalho

As inúmeras ferramentas digitais de comunicação (redes sociais, aplicativos colaborativos, mensageria instantânea, etc...) aumentaram exponencialmente a comunicação entre as pessoas. E, se por um lado permitem maior interação entre as pessoas, por outro, estamos mais expostos. Pontos de vista diferentes são confrontados com maior intensidade, fraquezas e diferenciais ficam mais evidentes, valores e crenças pessoais ficam mais claros.

Para complicar um pouco mais esse cenário, a evolução tecnológica em ritmo acelerado, toda mudança de paradigmas sociais que estamos vivenciando e todas as incertezas do mundo corporativo sinalizam para um futuro incerto e volátil, cheio de oportunidades para os que estiverem preparados e condenando ao fracasso o modelo tradicional de plano de carreira.

E neste ambiente onde o conhecimento técnico se mistura com a capacidade de articulação e relacionamento interpessoal, a excelência na formação técnica já não é suficiente para garantir seu espaço no mercado de trabalho. Uma série de competências sócio-emocionais são necessárias para saber lidar com as intempéries e incertezas deste novo ambiente corporativo. E as universidades tem o papel de preparar os jovens para enfrentar esse cenário.

Promover aproximação entre o mundo corporativo e o meio acadêmico

O mundo corporativo mudou radicalmente nos últimos anos. Grandes empresas não são mais garantia de estabilidade profissional e econômica, 90% dos empregos no Brasil estão nas micro, pequenas e médias empresas, e os jovens tem um desejo crescente em empreender e montar seu próprio negócio.

Trazer para dentro das universidades um pouco desta realidade e estimular a entrada dos jovens no universo corporativo ainda durante a vida acadêmica aumenta as chances de sucesso e amplia o potencial empreendedor dos jovens brasileiros, que possuem muita vontade de empreender mas pouca orientação e vivência neste assunto.

Desafiar o status-quo das disciplinas

O curriculum acadêmico, atualmente, está baseado em disciplinas técnicas voltadas para a profissão ou área de atuação escolhida pelos alunos. Temas direcionados a outras competências, tais como empreendedorismo, inovação, análise de riscos e negócios, além de assuntos sócio-emocionais, geração de networking e relacionamento interpessoal não fazem parte do curriculum do MEC e, por isso, muitas vezes não estão na grade de disciplinas das universidades.

“Hackear” o sistema e trabalhar esses temas de forma transversal, dentro das disciplinas atualmente oferecidas, é uma forma de implementar esse novo conceito de universidade sem deixar de lado o seu objetivo original.

Errar é aprender

“Somos uma série de erros e acertos”. Com esta frase o professor Wellington defendeu um novo posicionamento das universidades junto aos alunos. Ao invés de punir os erros e recompensar os acertos, as universidades devem preparar os alunos para lidar com erros e riscos. Afinal, muito da frustração de jovens empreendedores vêm da visão de que errar é falhar. E na verdade, errar é parte do processo de aprendizado.

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