O mobile vai impactar os modelos de negócios da própria internet

Por Colaborador externo | 16.10.2015 às 16:32
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Por Beatriz Minne Schauff

Hernan Kazah é um dos maiores nomes do e-commerce e da internet business do mundo. Co-fundador do mercado livre e CEO da Kaszek Ventures – um dos maiores grupos investidores com participação em diversas empresas globais de tecnologia – Hernan estará no Brasil em novembro, para participação no primeiro Global Mobile Internet Conference (GMIC) da América Latina, onde o mobile é o foco. Seu painel: “Surfe na oportunidade mobile ou prepare-se para o tsunami” falará sobre a violenta onda que varrerá as empresas que não estão preparadas para o mobile.

Em entrevista, Kazah afirma que teremos uma economia mobile, onde tudo girará em torno disso, assim como hoje tudo gira em torno de tecnologia para funcionar. “As soluções mudam de país para país, mas a tendência do mobile é bastante consistente em todo mundo”, afirma.

Qual a diferença entre os negócios mobile no Brasil e em outros países?

Cada país tem suas próprias particularidades. Soluções em um país não são idênticas em outros, mas quando o assunto é tecnologia, as tendências são bastante consistentes em todo o mundo. O que muda é apenas sua implantação. Por exemplo, a internet mobile está acontecendo em todos os países, dos mais pobres aos mais ricos, dos grandes aos pequenos, as pessoas estão ficando mais e mais conectadas e mudando seus hábitos ao redor disso. Mas, o quanto cada um dos apps disponíveis serão usados e o alcance que terão em cada país, é desconhecido. Isso é o que vai mudar de lugar para outro.

Quais são os setores de negócios com maior chance de crescer no Brasil mobile?

Há gigantescas oportunidades em Serviços financeiros, educação, saúde e comercio eletrônico.

Como a tendência mobile vai impactar outros tipos de empresas (fora do mobile) no Brasil e América Latina?

Antes, costumávamos falar de “empresas de tecnologia” e empresas que não eram de tecnologia (tech e non-tech). Hoje, isso nao é mais o caso. Todas as empresas, de uma forma ou de outra, giram em torno da tecnologia, até seu produto final – para seu sistema de produção interno e para suas comunicações. O mesmo vai acontecer com o mobile. Teremos uma economia mobile. A singularidade do mobile estará na vida das pessoas, no dia a dia das empresas, nos processos, productos e serviços.

Por que a analogia de um tsunami para se referir ao mobile?

A internet móvel está vindo e não vai só revolucionar empresas tradicionais, mas também irá impactar os modelos de negócios da própria internet. Os que estão na areia curtindo a praia e desavisados sobre esse movimento, ou aqueles querendo lutar contra essa revolução, serão varridos violentamente! Mas aqueles que enxergam a chegada, é só se preparar e agarrar suas pranchas para surfar na grande onda.

Qual será o foco da discussão em seu painel em São Paulo?

Vou focar minha discussão em como a invasão dos smartphones e da internet móvel em geral no Brasil, está produzindo uma revolução dentro da revolução que a internet começou há 15 anos, e que ainda está em desenvolvimento.

Como o GMIC pode ajudar as empresas a fazer negócios no Brasil?

Todas as associações que facilitam uma discussão são ótimas para startups e novas empresas pelo conhecimento e networking - grande necessidade entre essas partes. Mas, acima disso, na minha visão, o GMIC tem uma peculiaridade de ter começado na China onde a revolução mobile já teve seu epicentro, então, trazer visibilidade para isso aqui fora, vai ajudar empresas daqui a se prepararem para o que está por vir.