Novas regras do governo dos EUA podem complicar relação entre Huawei e TSMC

Por Felipe Demartini | 26 de Dezembro de 2019 às 16h45
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Novas medidas a serem impostas pelo governo dos Estados Unidos podem interromper o contrato de fornecimento de chips da TSMC para a Huawei. Em uma expansão do banimento imposto em maio pelo presidente Donald Trump à fabricante chinesa, empresas que vendam componentes com mais do que 10% de tecnologias patenteadas nos EUA podem ser impedidas de negociarem com companhias do país, mesmo que tenham sede fora dele.

A ideia, novamente, tem a ver com a segurança nacional, o mesmo motivo usado pela administração Trump para impor o ainda vigente banimento da Huawei. O objetivo é impedir que tecnologias e segredos industriais americanos caiam nas mãos de inimigos do estado, em uma medida considerada exagerada por muitos, afinal de contas, expande normas locais também a companhias internacionais, como é o caso da TSMC, fabricante de chips com base em Taiwan.

O principal imbróglio, caso as medidas sejam sancionadas, recai sobre o fornecimento de chips com fabricação em 14 nanômetros. De acordo com informações extra-oficiais, tais processadores conteriam cerca de 15% de peças ou tecnologias patenteadas nos EUA, o que impediria sua comercialização para a Huawei, que aparece ao lado da ZTE na chamada “lista de entidades”, que reúne as empresas cujos negócios no país estão banidos.

Os componentes em questão representam boa parte do contrato de fornecimento entre a Huawei e a TSMC, parte fundamental na produção de smartphones e outros dispositivos mobile da chinesa. Também fazem parte dos acordos os chips fabricados em um processo de nove nanômetros, mas estes conteriam apenas 9% de tecnologias americanas, estando liberados para venda mesmo que o governo dos Estados Unidos modifique suas regras.

As informações não confirmadas oficialmente dão conta de negociações entre executivos não só da TSMC, mas também de outras fornecedoras de chips, para que a nova imposição não entre em vigor ou, pelo menos, seja afrouxada. A ideia é que as regras bloqueariam ainda mais um cenário já bastante truncado de negociações com a Huawei e outras companhias chinesas, mas representantes da administração Trump estariam irredutíveis.

Oficialmente, a TSMC disse que as normas relacionadas a esse assunto ainda não foram modificadas e que o contrato com a Huawei para fornecimento de chips continua em vigor. A fabricante afirmou ainda que não comentaria sobre situações hipotéticas e que aguarda uma definição para que possa tomar as atitudes adequadas em relação a eventuais mudanças nas normas internacionais.

Já a Huawei não falou diretamente sobre o assunto, mas desde maio, mantém a postura de que não representa uma ameaça à segurança dos Estados Unidos ou qualquer outro país, acusando os Estados Unudos de agirem com motivações políticas e econômicas, e não de segurança. Além disso, por diversas vezes, representantes da companhia disseram que ela está pronta para continuar atuando mesmo sem a possibilidade de negociar com empresas dos EUA, criando componentes e softwares próprios para suprir as proibições.

Fonte: GizmoChina

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