Nokia apresenta lucros abaixo do esperado e investidores mostram preocupação

Por Redação | 30.04.2015 às 11:33
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Lucros bem abaixo do esperado e um aumento significativo nos custos de pesquisa levantaram algumas sobrancelhas nesta quarta-feira (29), quando a Nokia anunciou a seus investidores seus resultados financeiros relativos ao primeiro trimestre de 2015. Já operando de forma completamente independente da Microsoft, que concluiu a aquisição da divisão de celulares da empresa finlandesa no ano passado, a companhia que agora trabalha nos setores de redes, telecomunicações e aplicativos revelou uma redução de 61% nos lucros em relação ao mesmo período do ano passado.

Os resultados negativos já eram esperados, afinal de contas, há um ano, a Nokia ainda operava como uma fabricante quase que exclusiva de aparelhos Windows Phone e tinha uma boa parcela de seu faturamento oriundo desse negócio. O que não estava previsto, porém, era uma queda tão acentuada que, agora, os investidores querem saber se irá se manter, levantando dúvidas até mesmo quanto à vindoura aquisição da Alcatel-Lucent.

O negócio, anunciado no começo do mês, também esteve na mira de acionistas da companhia francesa, incluindo alguns dos principais nomes em sua carteira, que questionaram o valor de US$ 17,5 bilhões oferecido pela Nokia, levando em conta a performance atual da finlandesa. Do lado da Alcatel-Lucent, muitos já falam que não estão dispostos a aceitar tais termos e exigem uma revisão nos números, um fator que ajudou ainda mais na descida desgovernada das ações.

Os problemas levaram os papéis da fabricante finlandesa a uma queda de 9%, uma baixa que também foi seguida pela própria Alcatel, que registrou redução de 6,6%. É um mal sinal para a empresa francesa, que deve falar mais sobre seus relatórios financeiros do primeiro trimestre – e a vindoura aquisição – no dia 7 de maio. Segundo analistas, os problemas não devem impedir o negócio, mas tornam tudo muito mais turbulento e potencialmente complicado.

Falando aos investidores, o CEO da Nokia, Rajeev Suri, defendeu os termos da aquisição da Alcatel-Lucent, mas não negou a possibilidade de revisão. Ele afirmou apenas que o acordo foi realizado junto aos investidores de ambas as companhias e que os dois quadros de acionistas aprovaram o negócio.

De volta à Nokia

No relatório financeiro, a empresa atribuiu às mudanças operacionais e um maior investimento em pesquisa o resultado negativo exibido. O mix de produtos da empresa também teve performance abaixo da esperada, com queda nas vendas de softwares que geram altas margens de lucro. Por outro lado, equipamentos de baixo preço tiveram um crescimento na China, gerando mais faturamento, mas não lucro, uma vez que dispositivos de entrada não contribuem tanto assim para os números globais.

Levando em conta a alta competitividade do mercado asiático, um dos principais campos de atuação atuais da Nokia, não é de se surpreender esse tipo de resultado. Esse aspecto foi contemplado pelo CEO da companhia, mas ele também afirmou que tais fatores devem se reduzir no segundo semestre na medida em que a empresa finlandesa solidifica suas “novas” operações, sem a Microsoft, e começa a aplicar os resultados de pesquisas que vêm sendo obtidos em laboratório.

O principal ponto para essa recuperação é o setor de redes, onde a Nokia compete diretamente com empresas como a Huawei e a Ericsson. E é justamente aqui que, mais uma vez, Suri citou a aquisição da Alcatel-Lucent como essencial – ela pode gerar mais gastos para a empresa e um período de reorganização interna, mas fortalece ambas para competirem contra as duas gigantes do setor.

O relatório financeiro também oficializou de uma vez a possibilidade de venda da divisão de mapas da Nokia. Chamado de HERE, o setor que opera aplicativos de mapas para sistemas operacionais mobile está à disposição dos interessados e, de acordo com o CEO da companhia, tem atraído bastante atenção. Com valor estimado que varia entre US$ 5 bilhões e US$ 7 bilhões, o negócio envolveria grandes nomes como Uber e Facebook, ambos interessados em possuir um serviço desse tipo para que deixem de depender de soluções de terceiros.

Fonte: Reuters