NEC compra empresa brasileira de cibersegurança Arcon por R$ 60 milhões

Por Redação | 18.08.2016 às 14:10
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A companhia japonesa NEC anunciou nesta quinta-feira (18) a aquisição da empresa brasileira Arcon, especializada em serviços de segurança e cibersegurança. O negócio, fechado por R$ 60 milhões, marca o primeiro grande passo no mercado brasileiro após a entidade reorganizar sua operação e encerrar um longo ciclo de prejuízos no país.

A NEC assumirá 75% do controle da Arcon, enquanto os 25% restantes ficarão com o fundador, Marcos Barcellos, que continuará no comando da corporação, assim como seu sócio, Rogério Reis. A Arcon passará a atuar como subsidiária da NEC e, num primeiro momento, as duas empresas atuarão de maneira independente. A ideia é que as companhais sejam integradas ao longo dos próximos dois anos.

"A proposta dessa compra é multiplicar os negócios, pois a NEC não era mais uma empresa forte em telecomunicações", afirma o presidente da NEC no Brasil, Daniel Mirabile. "Temos a biometria como carro-chefe no portfólio da NEC de Segurança. A Arcon chega para complementar de forma bastante interessante, em especial, na gestão de segurança. Vendemos infraestrutura e ela requisita uma gestão de segurança", complementa.

Mirabile também destaca que a compra não aconteceu para a otimização de custos, mas sim para ampliar sua atuação no segmento de segurança. "São empresas complementares. Queremos aumentar a receita com a Arcon. Isso significa que não há qualquer projeto de redução de equipe funcional. (...) Posso vender serviços gerenciados de segurança para qualquer empresa, seja uma operadora de telecomunicações ou um banco. É importante a capacidade de complementar a oferta", disse.

Além disso, a aquisição da Arcon é a primeira de uma série que a NEC planeja fazer, em termos globais, nos próximos anos. A companhia pretende investir US$ 2 bilhões em empresas nos países onde atua até 2018.

Mudança de estratégia

Depois de revisar seu plano de negócios, e frente ao aumento de empresas chinesas, como Huawei e ZTE, a NEC passou a atuar na integração de tecnologias da informação e redes. Isso fez a receita da companhia desabar nos últimos dez anos: só em 2010, o prejuízo foi de R$ 78,3 milhões, com uma leve recuperação no ano seguinte. Em 2014, a entidade voltou a ficar no vermelho, quando decidiu mudar o comando no Brasil e promover mudanças na estratégia local.

NEC/Arcon

Daniel Mirabile, presidente da NEC no Brasil, e Marcelo Barcellos, presidente da Arcon. (Foto: Amanda Perobelli/Estadão)

Mirabile assumiu a presidência da companhia em setembro de 2014 e, depois de vencer a desconfiança da matriz, reorganizou sua equipe: dos 700 funcionários, cortou 100. Entre abril de 2015 e março de 2016, o faturamento líquido da empresa foi da ordem de R$ 460 milhões, e a expectativa é que, até 2020, esse valor chegue a R$ 1 bilhão.

A cada seis meses, Mirabile viaja para o Japão com outros executivos para escolher quais tecnologias vendidas pela matriz podem ser colocadas em outros países. Uma delas é um sistema de reconhecimento facial, agora usado pela Receita Federal nos 14 aeroportos internacionais brasileiros, que permite reconhecer, a partir das imagens de câmeras de segurança, o rosto de pessoas que já cometeram contravenções. O serviços também é usado por empresas para fazer o controle de acesso de pessoas.

Fontes: Convergência Digital, Link