Na onda do bitcoin, Venezuela vai lançar o Petro, sua moeda digital oficial

Por Redação | 04 de Dezembro de 2017 às 11h20

“O século XXI chegou”. Foi com essa frase que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou a criação do Petro, a moeda digital oficial do país. Com base em suas reservas de petróleo, diamantes, ouro e gás, a ideia é que a nova modalidade financeira garanta a independência financeira da nação diante do que o governo afirma serem bloqueios e sanções impostos, principalmente, pelos Estados Unidos.

De acordo com Maduro, que fez o anúncio durante uma transmissão oficial, a ideia é garantir a soberania nacional diante de ameaças externas ao mesmo tempo em que garante a segurança das transações por meio de seu caráter oficial. Trata-se, inclusive, de um distanciamento da proposta inicial de criptodinheiros como o Bitcoin, voltados, justamente, para serem independentes, sem ligação com bancos centrais, firmas de investimentos ou governos estatais.

A criação do Petro é fruto de estudos profundos sobre o tema, que teria ocorrido durante todo o ano e, também, de acordo com anseios da população. O presidente da estatal petroleira PDVSA, Manuel Quevedo, que também é ministro do Petróleo do país, foi apontado como o diretor do grupo responsável pelo desenvolvimento da criptomoeda.

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Além disso, Maduro criou o que chama de "Observatório de Bloqueio", um grupo governamental voltado para analisar o mercado econômico do país diante das sanções impostas por governos internacionais e facilitar o lançamento do Petro. O objetivo final da moeda, afirma o governo, é garantir que, mesmo com tantos bloqueios, o sistema financeiro da Venezuela continue funcionando, bem como o desenvolvimento social de sua população.

A crise que assola o país desde o ano passado levou muitos venezuelanos à miséria, na medida em que a hiperinflação fazia os preços aumentarem e o desemprego acabava com a fonte de renda de muitos. Aqueles que possuem mais intimidade com o mundo digital, entretanto, viram nas bitcoins uma forma de protegerem seu dinheiro em meio a tudo isso, vendo suas reservas crescerem na medida em que as moedas ganham valorização.

A descentralização das moedas virtuais, inclusive, vem sendo apontada por muitos especialistas como uma das saídas para a crise, que teria o alto controle do governo sobre todos os aspectos do sistema financeiro com uma de suas razões. O Petro, inclusive, surge como mais uma faceta dessa regulação toda, o que a torna amplamente diferente de praticamente todas as outras modalidades existentes no mercado.

O baixo custo da energia elétrica teria fomentado a atividade dos mineradores, com os mais ativos chegando a obter mais dinheiro desta maneira do que o salário mínimo venezuelano – uma amostra não do poder financeiro da criação de moedas, mas sim de quão baixo é o nível de pagamento aferido pelo governo. Essa característica, agora, é apontada como outro fator em potencial para a criação do Petro, que poderia ser gerado internamente com uso das mesmas características que fomentaram a criação das bitcoins.

O presidente, entretanto, não deu mais detalhes sobre como a criptomoeda nacional vai funcionar e, principalmente, de que maneira o lastro baseado em riquezas naturais e petróleo vai estar ligado a elas. Não se sabe, também, quando o criptodinheiro será lançado nem de que maneira o governo vai regular sua mineração, posse e realização de transações, se é que ele realmente vai fazer isso. É algo esperado, mas não confirmado.

Fonte: The Guardian

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