Na briga com Microsoft, Google quer ganhar espaço no Brasil com Apps for Work

Por Rafael Romer | 02 de Maio de 2016 às 20h01

A batalha entre Google e Microsoft pelo domínio do mercado de aplicativos corporativos é nebulosa. Enquanto o número mais recente revelado pelo Google para sua plataforma Apps for Work, de novembro do ano passado, é de 2 milhões de clientes pagantes globais, a Microsoft não divulga o montante equivalente da adoção corporativa de sua plataforma Office 365 – ainda que tenha apontado um crescimento médio de receita da plataforma em moeda constante superior a 60% nos últimos três trimestres.

Estimativas de mercado também são diversas: em agosto do ano passado, a empresa de serviços de gestão de identidade em cloud coletou dados de 2,5 mil consumidores usando mais de 4 mil aplicações em cloud e colocou o Office 365 como a aplicação de mais rápido crescimento de implementação nos últimos anos – enquanto os apps do Google foram ranqueados em quarto lugar na lista, atrás da Salesforce e da Box.

Dados de 2015 levantados pela companhia de segurança em cloud Bitglass entre seus clientes, por outro lado, apontaram uma vantagem dos serviços da Google, adotados em 16,3% das empresas atendidas pela Bitglass – o dobro do marketshare do Office 365 no recorte realizado.

Ambas análises, no entanto, sugerem uma vantagem da gigante de Redmond particularmente forte no segmento de nível enterprise, com grandes empresas preferindo a adoção do Office 365 pela oferta mais amplas de funções utilizadas no ambiente coporativo. Nos resultados do último trimeste do ano fiscal de 2015, a Microsoft revelou que 80% das empresas listadas na Fortune 500 haviam adotado o Office 365.

Mas isso não significa que o Google não esteja empenhado em ganhar espaço nesse mercado, principalmente em regiões nais quais momentos de instabilidade econômica leva empresas a reverem seus invetimentos em ferramentas de TI e produtividade.

Nesta segunda-feira (2), a empresa inaugurou em São Paulo um novo espaço de showcase das capacidades técnicas das platafromas que compõem o Apps for Work, na tentativa de atrair mais executivos de nível-C para o ambiente e conquistá-los com os pontos fortes do serviço, como as opções de colaboração em tempo real nos documentos criados no sistema.

"A gente vem crescendo muito e nesse momento em que empresas param de pensar no futuro e pensam em sobrevivência atual, nosso serviço vem a calhar", afirmou ao Canaltech o Diretor de Negócios para Brasil da divisão Google for Work, Alessandro Leal. "São duas grandes alavancas que são buscadas neste momento: como aumentar a produtividade e como fazer mais com a mesma coisa. A gente tem esse approach".

O Google não abre números sobre a adoção do Apps for Work no país, mas Leal comenta que a empresa viu em crescimento "de dois dígitos" da plataforma na região de 2014 para 2015, puxado por setores como varejo e serviços – onde o tempo de trabalho é essencial para os resultados da empresa.

No ano passado, o câmbio desacelerou um pouco o crescimento, mas a expectativa é de uma nova retomada a partir deste trimestre, após a sinalização positiva de CIOs locais que o Google teve durante a divulgação da plataforma em eventos de tecnologia nacionais neste ano.

"Para empresas maiores, com processos muito claros e um legado instalado, é preciso ter uma conversa e uma quebra de paradigma", explicou. "Nosso crescimento foi maior no ano passado, quando foi focado em pequenas empresas, e agora está equilibrando. Neste ano, nós temos empresas grandes repensando o dia-a-dia e as duas pernas estão andando na mesma velocidade".

Google Apps for Work

A PwC foi uma das companhias que adotou o suite de serviços Apps for Work no Brasil, em dezembro no ano passado (foto: Rafael Romer/Canaltech)

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