Multa de € 13 bilhões à Apple tem cunho político, afirma porta-voz da UE

Por Redação | 06.09.2016 às 07:31

Um dos assuntos mais polêmicos dos últimos dias é a multa que a Comissão Europeia aplicou à Apple. Acusada de sonegação de impostos, a penalidade tributária que a gigante de Cupertino deve pagar é de € 13 bilhões (aproximadamente R$ 47,19 bilhões).

Para quem não sabe, segundo apuração da CE, a Maçã foi beneficiada ilegalmente pela Irlanda por impostos não cobrados entre 2013 e 2014. Diante do caso, tanto Tim Cook quanto o governo irlandês resolveram recorrer da decisão, o que tem gerado controvérsias políticas, já que abrir mão da quantia pode fazer com que os cidadãos se revoltem.

Como o próprio Ministro das Finanças da Irlanda, Michael Noonan, garantiu publicamente, a Apple não obteve tratamento fiscal favorável, Tim Cook emitiu um comunicado dizendo que toda a situação não passa de "uma completa besteira política".

Com a declaração, algumas autoridades da Comissão Europeia confirmaram que a decisão tem um forte componente político, mas que "ser político não deve ser confundido com politizado", explicou uma porta-voz do presidente da UE, Jean-Claude Juncker.

A questão é que todos os esforços que visam o combate à evasão fiscal podem ser considerados políticos porque países que estão sofrendo dificuldades em seus orçamentos acabam enfrentando pressão por parte dos eleitores para que o dinheiro seja recuperado, principalmente de companhias ricas. Por outro lado, muitos temem que a aplicação da multa acabe por afastar multinacionais do país, o que acabaria sendo prejudicial para a economia irlandesa.

Seja como for, especialistas afirmam que populistas de diversos movimentos europeus acabaram angariando apoio dos eleitores após a UE ser acusada de se aliar com as grandes empresas contra o povo. "(O caso da) Apple mostra como lutar contra o populismo", disse uma das autoridades sênior da União.

Fonte: G1