Motoristas do Uber reclamam de uso de bloqueadores de sinal no aeroporto de GRU

Por Rafael Romer | 18.07.2016 às 20:10 - atualizado em 18.07.2016 às 20:27

Motoristas da Uber que aguardam corridas próximos ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU), em São Paulo, têm reclamado do suposto uso de bloqueadores de sinal celular na região para desconectá-los da fila virtual do aplicativo e forçá-los a aguardar mais tempo por novas corridas.

Nas últimas duas semanas, o Canaltech ouviu relatos de múltiplos motoristas do serviço que reportaram episódios semelhantes em dois pontos próximos do aeroporto: ao redor do Parque Cecap e na região do Hotel Pullman – ambos utilizados como bolsões de estacionamento não-oficiais para taxistas, motoristas do Uber e de outros serviços que esperam por passageiros vindos do aeroporto.

De acordo com J.E., motorista de Uber há pouco mais de um mês que preferiu não se identificar, em um episódio recente ele foi retirado da fila virtual do aplicativo após cerca de quatro horas de espera por uma corrida, após o sinal do celular ter sido repentinamente derrubado.

"Quando voltou a conexão, fui para o fim da fila", explicou ao Canaltech. "Resultado: esperei a tarde toda por uma nova corrida. Cheguei no bolsão às 8h da manhã e só fiz minha primeira corrida às 6h da tarde".

Em média, motoristas do serviço costumam aguardar entre quatro e cinco horas na fila virtual do serviço antes de conseguirem uma corrida vinda do aeroporto. Mesmo com o tempo longo de espera, a prática é considerada preferível por alguns, já que corridas do aeroporto costumam render e motoristas não precisam gastar combustível rodando pelas ruas enquanto aguardam novos passageiros.

"Geralmente, acontece direto do sinal cair e volta, mas nessa vez caiu e não voltou mais. Achei estranho, saí do carro e fiquei dando voltas com o celular e nada", comentou Sérgio Henrique, também motorista do Uber há dois meses na cidade. "Depois de uns minutos voltou, mas a fila ficou contando como se eu tivesse acabado de entrar".

Outros dois motoristas também relataram um mesmo episódio no qual um motoqueiro em uma Honda CG preta teria passado com um dispositivo "cheio de antenas" pelo bolsão, o que teria derrubado o sinal dos smartphones no local. Há cerca de um mês e meio, o motoqueiro chegou a ser confrontado pelos motoristas do aplicativo.

"O cara falou que pagavam R$ 50 para ele passar no bolsão seis vezes por dia. Ele não revelou qual era a fonte", contou o motorista Raphael S.D., presente no episódio e dirigindo pelo aplicativo há quase um ano. Desde então, o motoqueiro não voltou a passar na região, mas o sinal continuou caindo.

Os bloqueadores de sinal são capazes de gerar interferência nas telecomunicações através da emissão de sinais de alta intensidade, que saturam a frequência de rádio usada pelos smartphones em uma região específica e impede que os dispositivos recebam dados.

O uso destes gadgets é proibido no país pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que definiu em 2002 uma norma que restringe o uso dos chamados Bloqueadores de Sinais de Radiocomunicações (BSR) a edifícios como presídios e classifica como "clandestino" o seu uso fora dos locais indicados.

Ainda assim, conseguir um BSR não é uma tarefa difícil. Em sites populares como o Mercado Livre, é possível encontrar ofertas de aparelhos que se dizem capazes de bloquear o sinal 3G em uma área de até 5 metros quadrados por preços a partir de R$ 500. Modelos capazes de bloquear redes 4G também podem ser vistos na plataforma.

O Canaltech entrou em contato com a Uber para questionar se a empresa já havia recebido feedback de seus usuários ou motoristas sobre a prática, mas a empresa não quis comentar o caso.