Motoristas começam a montar “frotas de Uber” em São Paulo

Por Redação | 07.03.2016 às 13:11
photo_camera Moritz Lips

O Uber pode até ter aberto o mercado de transporte para mais motoristas, mas ainda assim, tem suas regras que não o tornam acessíveis para todos. O serviço exige carros mais luxuosos, na cor preta, e uma série de outros parâmetros que levaram, agora, a dinâmicas extremamente parecidas com as do mercado de táxi. Em São Paulo, começam a surgir as primeiras frotas de veículos da plataforma, com veículos que são alugados para terceiros em troca de valores semanais.

Os preços variam de R$ 400 a R$ 600 por semana e incluem não apenas o carro em si, mas também a gasolina e manutenção, além de extras como as famosas água e balinhas que são oferecidas aos passageiros. Em alguns casos, até o smartphone com chip pode ser locado, e na maioria das vezes, quem realiza esse tipo de prática são os próprios motoristas, que cedem seus carros durante o período em que, eles mesmos, não estão trabalhando para o Uber.

Essa é uma prática que, inclusive, é citada pelos defensores do serviço como um de seus diferenciais. Para muita gente, a concentração de licença de táxi nas mãos de poucos faz com que se crie uma “máfia” que explora motoristas e gera o sucateamento do serviço. O Uber, entretanto, afirma que esse tipo de aluguel de veículos não apenas é permitido como incentivado. Trata-se de uma maneira de manter carros do serviço funcionando durante todo o tempo, e a plataforma, inclusive, permite o cadastro de mais de um motorista por carro.

Na média que é fornecida pela plataforma, um motorista ganha de R$ 900 a R$ 1,8 mil por semana, de acordo com a quantidade de horas que trabalhar. No sistema de aluguel, o valor da locação é descontado do total, sendo o restante pago integralmente ao motorista. Para o Uber, é mais uma maneira pela qual se está incentivando o empreendedorismo e a economia colaborativa. Para motoristas, entretanto, é uma demonstração de que a empresa e o mundo dos táxis não são tão diferentes quanto ela faz questão de parecer.

Por outro lado, a dinâmica do Uber já começa a criar outras iniciativas para se manter relevante. É o caso, por exemplo, da Associação dos Motoristas Parceiros das Regiões Urbanas do Brasil, que quer trabalhar com o serviço para rever os preços das tarifas – que em alguns momentos, acabam não compensando para os motoristas –, além de negociar descontos e vantagens com mecânicos, postos de gasolina e distribuidoras de doces e bebidas para os associados. Cerca de 1,5 mil motoristas já teriam mostrado interesse, 15% do total de 10 mil que circula pelo país.

Fonte: Folha de S. Paulo