Microsoft pune usuários que vazaram remasterização de Gears of War

Por Redação | 15 de Maio de 2015 às 09h45
photo_camera Divulgação

Quem é fã da série Gears of War certamente percebeu que nos últimos dias não se fala em outra coisa: uma possível remasterização do primeiro título da série para Xbox One. Apesar da Microsoft ainda não ter confirmado nada oficialmente, a produção do game é dada como certa, uma vez que ele já aparece na classificação indicativa brasileira e vídeos do jogo vazaram na internet. Só que os tais vídeos foram publicados de maneira ilegal e a Microsoft está punindo severamente os responsáveis.

Ao que tudo indica, os vazamentos correspondem a um produto real, mas em fase inicial de desenvolvimento. Esses vídeos pertencem à empresa VMC Games, que presta serviços profissionais para jogos, incluindo testes de games que sequer foram anunciados. Por meio de indicação, a VMC Games, em parceria com a Microsoft, convidou um grupo seleto de usuários para testar a suposta remasterização de Gears of War em um programa chamado Global Beta Test Network (GBTN), que trata justamente desse experimento de jogos que ainda não foram lançados.

Acontece que algumas pessoas que aparentemente participaram desse programa divulgaram todo o conteúdo dos testes nas redes sociais, incluindo vídeos e imagens no YouTube e no app Snapchat. Por conta disso, a VMC enviou um e-mail alertando esses usuários de que, além de terem sido banidos do GBTN, tiveram suas contas na Xbox Live bloqueadas e seus consoles inutilizados por um tempo que será determinado pela Microsoft, que efetuou o processo conhecido como "brick".

Neste caso, os testadores fizeram uso dos próprios Xbox One e não de máquinas de debug oferecidas pela VMC. Por isso foram banidos da rede online do Xbox e ficaram impossibilitados de usar qualquer função do dispositivo.

"Gostaríamos de aproveitar essa oportunidade para lembrar a todos que isso é uma comunidade. Suas ações e o comportamento refletem em outros e em nós também e agir de forma egoísta tem o potencial de prejudicar a experiência de todos. Por favor, esteja ciente de que há outros envolvidos em suas ações", comentou a VMC Games no e-mail, divulgado pelo site Kotaku.

A Microsoft está espionando os usuários?

Kinect (Xbox One)

É compreensível a situação da VMC em banir os testadores responsáveis pelo vazamento do suposto Gears of War Remaster, uma vez que eles assinam um termo se comprometendo a não praticar tais atitudes. No entanto, um detalhe que chama atenção nessa história é a possibilidade da Microsoft inutilizar qualquer Xbox One de forma tão rápida, eficaz e remotamente. Como a própria VMC diz no comunicado por e-mail, a companhia tornou "completamente inutilizável" os gadgets dos testadores.

Em nota ao Kotaku, a Microsoft negou as palavras da VMC Games, afirmando que os consoles continuarão funcionando em modo offline. "Que fique claro: se um console é suspenso por violar os Termos de Uso da Xbox Live, ele ainda pode ser utilizado offline. Tais ações da Microsoft não resultam na inutilização do console. As suspensões, tanto para consoles quanto para contas, são determinadas por uma série de fatores. Para evitá-las, os usuários devem seguir os Termos de Uso e Código de Conduta da Xbox Live", disse a empresa no comunicado.

Com base nessa afirmação, a Microsoft não deve se pronunciar novamente sobre o caso, nem esclarecer se de fato pode "bricar" consoles remotamente. Fato é que as declarações das duas entidades são bastante diferentes e podem acender uma discussão que começou logo no anúncio do Xbox One, em 2013: estaria o videogame espionando seus jogadores?

Na época, o Xbox One era um console bem distinto do que conhecemos hoje. O conceito inicial era transformá-lo em uma central de entretenimento 100% online. Era necessário conectar o dispositivo à internet a cada 24 horas para verificações de segurança e sistema e ele só funcionava com um Kinect por perto - hoje é possível adquirir apenas o console, sem o acessório de reconhecimento de voz e gestos. A empresa foi tão criticada - e acusada de espionagem - que mudou as exigências do aparelho e o adequou a novas especificações, mais parecidas com as do concorrente PlayStation 4, da Sony.

Em todo caso, se a Microsoft pode ou não inutilizar consoles a distância, os videogames afetados pela decisão da companhia e da VMC não devem ter grande utilidade sem acesso à Xbox Live, uma vez que não é possível baixar patches de atualização, nem jogar determinados títulos, como Destiny, que só funcionam conectados à rede. No entanto, esta é mais uma prova de que é melhor pensar duas vezes antes de querer vazar algum conteúdo ainda não lançado oficialmente no mercado.

Fonte: Kotaku

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