Microsoft está "ensinando" computadores a terem senso de humor

Por Redação | 12.08.2015 às 08:47
photo_camera Foto: Reprodução

A inteligência artificial tem a missão de cada vez mais fazer as máquinas "conversarem" com os seres humanos. Agora, uma iniciativa está levando um pouco de senso de humor para os computadores.

A Microsoft anunciou que está trabalhando em conjunto com Bob Mankoff, editor de cartoons da revista The New Yorker, em um projeto que ensina o sistema de inteligência artificial a definir o que é ou não engraçado.

Segundo Mankoff, a revista recebe cerca de cinco mil participações no seu clássico concurso de legendas, deixando todos funcionários esgotados. Ele ainda afirma que o tempo médio dos seus assistentes no cargo é de, em média, dois anos.

"O processo de olhar 5.000 entradas de legendas por semana normalmente destrói suas mentes em cerca de dois anos, e aí eu tenho que conseguir outra pessoa. Isso é um pouco assustador. É como ficar cego com a neve; você fica com o humor cego", diz.

Em breve, caso o projeto traga resultados positivos, os assistentes poderão ter um pouco de descanso, dividindo o trabalho com uma máquina inteligente e com senso de humor.

A Microsoft e a New Yorker estão alimentando um software de inteligência artificial com um arquivo de cartoons do periódico e as entradas do concurso de legendas. Assim, as máquinas começam a entender melhor como funciona o conceito de humor da revista.

A ideia do projeto surgiu quando Dafna Shahaf, pesquisadora da Microsoft, assistiu a uma palestra de Mankoff sobre o arquivo de cartoons e pensou se haveria a possibilidade de um computador avaliar de maneira precisa se uma legenda é ou não é engraçada.

A compreensão de humor é bastante importante para a Microsoft, principalmente para aplicativos como o Skype Translator, que foi criado para que os usuários conversem em diferentes idiomas e ouvindo as traduções em tempo real.

As máquinas e os editores da New Yorker ainda não estão coincidindo 100% nas listas finais, mas os favoritos dos trabalhadores humanos aparecem em 55,8% das escolhas dos computadores inteligentes. Com isso, o sistema poderá eliminar pelo menos 2.200 legendas por semana, sem perder as melhores.

Shahaf diz que estão sendo economizados cerca de 50% da carga de trabalho e, futuramente, pode economizar o tempo gasto para contratar novos assistentes. Mankoff acredita que "o futuro é a parceria humano-máquina e que os computadores podem ser de grande ajuda".

Mas a Microsoft não pretende parar por aí. A companhia de Bill Gates ainda planeja poder treinar computadores para criarem suas próprias piadas com base em situações, sendo mais fácil de interagir com assistentes digitais como a Siri e a Cortana.

Eric Horvitz, diretor-geral do grupo de pesquisa da Microsoft e coautor do estudo, diz que a compreensão do que nós achamos engraçado e de como criamos as piadas é de extrema importância para o estudo sobre o funcionamento do cérebro, fato que é crucial para a pesquisa sobre a inteligência artificial.

As descobertas devem ser apresentadas ao público por um pesquisador da Microsoft nesta quinta-feira, dia 13 de agosto, na conferência de dados KDD em Sidney, na Austrália.

Fonte: Endgaget, Bloomberg