Microsoft: de uma derrocada iniciada por Ballmer à salvação estratégica de Nadella

Por William Nascimento | 08 de Julho de 2015 às 16h14

Satya Nadella, atual CEO da Microsoft, passou seu primeiro ano e meio no comando da empresa desfazendo alguns dos erros de seu antecessor, Steve Ballmer. Nesta quarta-feira (8), Nadella enviou uma carta para os funcionários da empresa onde sutilmente admite que a compra da divisão mobile da Nokia foi um grande erro. Com isso, cerca de 7.800 empregos serão cortados no setor de telefonia móvel da Microsoft.

A aquisição da Nokia foi anunciada em setembro de 2013, um mês depois de Ballmer ter anunciado que deixaria a Microsoft. O acordo foi bastante controverso entre os executivos da empresa, levando a reuniões acaloradas, conforme relata a Bloomberg. Nadella e o fundador Bill Gates eram contra a aquisição da empresa finlandesa, mas Ballmer conseguiu aprovação suficiente para seguir com o negócio. Pelo que tudo indica, eles estavam certos; Ballmer estava errado.

Comprar a divisão de smartphones da Nokia poderia ser razoável em 2011, quando a fabricante europeia havia abandonado suas próprias plataformas para adotar o Windows Phone de maneira exclusiva. No entanto, em 2013, ficou claro que o Windows Phone era uma plataforma bem distante em competitividade em relação aos seus rivais Android e iOS.

Mesmo assim, Ballmer acreditou que, com a aquisição, a quota de mercado do Windows Phone iria dobrar ou até mesmo triplicar. Mas não foi bem isso que aconteceu. Atualmente, a participação do Windows Phone no mercado global persiste em ficar estagnada em torno de 5%. Em alguns países europeus a empresa conseguiu atingir dois dígitos, mas nada que seja expressivo o suficiente para justificar a compra da Nokia.

A pequena participação de mercado do Windows Phone significa que os desenvolvedores não têm interesse necessário para priorizar a construção de aplicativos para a plataforma. Assim, com a ausência de aplicativos e funcionalidades, os consumidores preferem escolher outros aparelhos, mantendo as vendas abaixo do que Ballmer imaginava.

Os números deixam claro que o negócio de smartphones da Nokia foi um desastre. Entre o início de 2011 e o anúncio da aquisição, em setembro de 2013, a quota global de celulares da finlandesa havia caído de 25% para menos de 5%. Em outras palavras, Ballmer convenceu a Microsoft a investir US$ 7 bilhões em ativos em declínio.

A última esperança da empresa no setor móvel é o Windows 10. Há pelo menos uma grande razão para otimismo com o novo sistema operacional: a Microsoft parece ter resolvido o problema de desinteresse dos desenvolvedores com sua plataforma móvel. Com o Windows 10, os desenvolvedores ficariam mais animados em construir aplicativos universais que, com apenas pouco esforço, poderiam ser executados em PCs, smartphones e tablets. Ciente do potencial do novo sistema em ampliar o número de aplicativos, a Microsoft prometeu um bilhão de dispositivos executando o Windows 10 em apenas três anos.

Após assumir a liderança da Microsoft, Nadella tem feito diversas mudanças na companhia. Algumas têm priorizado a expansão dos serviços em nuvem da empresa, principalmente para o mercado corporativo. Outra mudança relevante é a liberação de aplicativos do Office para iPad e Android, além de investir em plataformas como Mac e Linux, algo que era impensável com Ballmer.

Certamente, as demissões, que aconteceram desde a aquisição da Nokia, não são agradáveis, principalmente para um mercado de trabalho global escasso em vagas. Mas, com as mudanças anunciadas hoje, juntamente com a eliminação de outros negócios sem importância para a companhia, Nadella parece que finalmente poderá se concentrar no futuro da Microsoft.

Fonte: http://recode.net/2015/07/08/with-microsoft-layoffs-windows-phones-prospects-dim-further/http://www.businessinsider.com/satya-nadella-just-undid-steve-ballmers-last-big-mistake-2015-7

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