Mercado brasileiro de vídeos e áudios pagos pela internet deve dobrar até 2018

Por Redação | 09.03.2016 às 15:05

Uma pesquisa lançada pela empresas Vindicia e Ooyala avaliou o serviço de OTT Premium na Argentina, Brasil e México e apontou avanço no Brasil no uso de serviços de áudio e vídeo através da internet.

Segundo o levantamento, o mercado nacional de OTT Premium – formado pela disponibilidade de vídeos e áudios pagos pela internet – deve passar de US$ 180 milhões para US$ 460 milhões até 2018, o que representa um crescimento de mais de 150%. O estudo foi conduzido em três seminários de mesa-redonda realizados no final de novembro de 2015, na Cidade do México, Buenos Aires e São Paulo, e é o terceiro relatório de uma série que estudou a Europa Ocidental, em Novembro de 2014, e os Estados Unidos, em Junho de 2015.

A pesquisa envolveu 60 executivos de alto nível que atuam em tecnologia, mídia e indústrias de entretenimento. Os profissionais estão otimistas sobre as perspectivas para o mercado, mas destacaram importantes desafios, incluindo: infraestrutura de banda larga insuficiente; desigualdade econômica; fortes provedores de TV locais; poucos serviços domésticos concorrentes; complicações quanto a pagamentos; e altos índices de pirataria.

Na avaliação, os participantes da América Latina comentaram abertamente sobre a aceitação do conteúdo pirata, destacando que, no Brasil, 20% de toda a televisão por assinatura é consumida de forma ilegal.

Contudo, já é possível observar que os custos técnicos e as complexidades do desenvolvimento de novas ofertas de OTT estão caindo, a infraestrutura local está melhorando gradualmente e há uma crescente quantidade de empresas locais - desde start-ups a grandes conglomerados de mídia focados neste mercado.

Foco no conteúdo local

A pesquisa mostra ainda que os principais fornecedores de televisão por assinatura estão investindo em serviços e conteúdo regional, adaptados aos interesses locais, aumentando a consciência do consumidor e abrindo o caminho para um crescimento significativo do mercado até 2018. Os nichos mais atrativos são programação infantil e esportes – especialmente o futebol – mas se espera ver a popularização de outros tópicos, como filme especializado, música, religião e estilo de vida.

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Os consumidores de todo o México, Argentina e Brasil são telespectadores ávidos e estão bem servidos por fortes emissoras que investem quantias significativas em conteúdo local. Netflix, o maior fornecedor de OTT na região, fornece em grande parte cinema e TV de conteúdo norte americano, que possui alta demanda em todo o mundo – a América Latina não é uma exceção. No entanto, os participantes da indústria acreditam que há uma demanda para conteúdo local que ainda não foi preenchida pelos serviços de OTT.

Em resposta, um número de grandes empresas de mídia e bem financiadas em toda a América Latina lançaram ou estão planejando lançar serviços de OTT premium, aumentando a disponibilidade de conteúdo local e adaptando os modelos de assinatura de acordo com as necessidades e preferências nacionais e regionais.

Melhorias

A maioria dos participantes da indústria espera ver melhorias nos estimuladores de mercado subjacentes ao longo dos próximos três anos, mas esperam uma mudança relativamente gradual, tendo em conta as restrições econômicas e geográficas. Por exemplo, a qualidade da banda larga e a penetração devem melhorar, com o México, o Brasil e a Argentina tomando medidas para aprimorar a infraestrutura de banda larga e implementando reformas estruturais nos mercados nacionais das telecomunicações.

O pagamento é outra grande barreira para a OTT premium na América Latina – a penetração do cartão de crédito é baixa, e os consumidores são frequentemente relutantes e incapazes de pagar por produtos e serviços online. Já que não se espera que a penetração do cartão de crédito mude significativamente ao longo dos próximos três anos, os prestadores de serviços estão oferecendo cada vez mais métodos alternativos de pagamento, potencialmente ampliando o público potencial.

Além disso, o interesse em serviços de vídeo de OTT premium deve ser originado principalmente pelas classes sócio-econômicas mais altas, porém a disposição geral em pagar por conteúdos deverá permanecer baixa, com a maioria dos consumidores preferindo ofertas financiadas por publicidade e gratuitas, incluindo TV aberta, YouTube e mídias sociais, bem como conteúdo pirata.

O relatório completo está disponível neste link.