Mark Zuckerberg completa 31 anos em sessão de perguntas e respostas no Facebook

Por Caio Carvalho | 15 de Maio de 2015 às 08h35
photo_camera Divulgação

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, aproveitou seu aniversário de 31 anos nesta quinta-feira (14) para participar de mais uma sessão de perguntas e respostas em uma plateia que incluía desde funcionários da rede social até os pais do executivo norte-americano. Durante o bate-papo, Zuckerberg se posicionou sobre diversos assuntos, entre eles a regulamentação de medidas de segurança encabeçadas pela União Europeia, realidade virtual e diversidade de gênero nas companhias.

Esta foi a sexta vez que Zuckerberg conversou abertamente com empregados da rede social, mas engana-se quem pensa que ele se sente à vontade falando em público. Zuckerberg comentou que o melhor presente de aniversário que poderia ganhar das pessoas é poder ficar sozinho. Ele diz que não é fã de festas, nem gosta de ser lembrado da data. Em seu aniversário de 30 anos, no ano passado, voou para o outro lado dos Estados Unidos para evitar comemorações - o que, teoricamente, não funcionou, pois quando voltou sua sala estava cheia de balões de festas.

Nos primeiros minutos da sessão, logo quando Zuckerberg sobe ao palco, ele é surpreendido por seus funcionários cantando parabéns - alguns até perguntando se havia bolo. Separamos os principais pontos da conversa. Veja abaixo.

Oculus Rift

Ao longo do bate-papo, Zuckerberg mais uma vez destacou a importãncia da realidade virtual para a empresa. Se antes o executivo fazia questão de falar que o preço dessa tecnologia precisa ser o mais acessível possível, agora ele afirmou que os dispositivos da categoria precisam ser cada vez menores, sem parecer que o usuário está com um trambolho na cara. Para Zuckerberg, o verdadeiro potencial da tecnologia só será alcançado quando o Oculus Rift "se parecer com óculos normais".

"Conforme esses aparelhos forem ficando cada vez menores, o que eu acho que vai ser muito legal é que eles vão se parecer com óculos normais ou óculos de sol. Você poderá usá-los sem estar preso a um computador, se movimentar [para onde quiser]", comentou.

Zuckerberg também se mostrou otimista quanto ao futuro da Oculus VR, startup fabricante do Rift e que foi adquirida pelo Facebook em março do ano passado por US$ 2 bilhões. Na opinião do aniversariante da semana, tanto a realidade virtual quanto a realidade aumentada são áreas promissoras para a computação nos próximos anos. Lembrando que realidade virtual é quando sua visão é completamente tomada por uma cena gerada por computador, enquanto realidade aumentada é uma visão do mundo real sobreposta com itens digitais.

O primeiro modelo comercial do Oculus Rift chega às lojas no primeiro semestre de 2016. É um grande passo para o Facebook, mas não o suficiente, uma vez que Zuckerberg (e toda a indústria) acredita que ainda falta muito o que fazer para desenvolver a tecnologia por completo. "Vai demorar cinco, sete, dez, talvez doze anos para construir isso tudo, [ou seja] de ter algo que realmente funciona e é barato o suficiente para todos ao redor do mundo usar", disse.

Diversidade na tecnologia

Apple, Google e Microsoft são algumas das empresas que nos últimos dois anos têm se esforçado para aumentar a diversidade na força de trabalho. O Facebook também está empenhado em diversificar seu quadro de funcionários, destacando principalmente as mulheres e minorias (hispânicos, gays, negros, pessoas com necessidades especiais ou alguma deficiência física, entre outros). "Seria ótimo se metade dos nossos engenheiros fossem mulheres", afirmou.

Segundo Zuckerberg, a diversidade nas empresas pode ser ainda maior se as entidades começarem a expor o quanto antes as crianças e adolescentes a computadores e videogames sem fazer com que aquilo pareça uma atividade séria. "Deixá-los brincar com isso é uma das melhores coisas que você pode fazer. Definitivamente, eu não teria conseguido crescer na programação se não tivesse jogado videogame quando era criança", explicou.

União Europeia e política

Outro ponto alto da sessão de perguntas e respostas foi a opinião de Zuckerberg quanto a um projeto da União Europeia que visa estabelecer leis comuns sobre a operação de qualquer empresa de tecnologia nos países da região, uma decisão que afeta desde as gigantes, como Google e o próprio Facebook, até escritórios menores e pequenas startups. Entre as principais medidas da nova legislação está a garantia de condições de concorrência iguais para todos.

De acordo com Zuckerberg, a rede social sempre tenta se adaptar às regras de cada nação e, por isso, ele apoia a ideia. "Apesar da União Europeia, cada país oferece leis diferentes sobre isso, o que é um desafio para que companhias como a nossa se adequem às exigências das autoridades. O que eles estão tentando fazer é criar regras unificadas, o que é excelente para nós", afirmou.

"Às vezes você tenta se conformar com 20 versões diferentes de vários tipos de leis. Acho que essa nova lei [da União Europeia] facilitaria o trabalho das empresas em oferecer seus serviços e cumprir as regras, porque isso permitiria às companhias saber exatamente quais são as leis em todos esses lugares diferentes".

Zuckerberg também respondeu a perguntas sobre uma suposta remoção de postagens na rede social, em particular mensagens relacionadas às tensões entre Ucrânia e EUA. Aparentemente, alguns textos divulgados na plataforma foram removidos sob a justificativa de serem classificados como conteúdos agressivos e "discurso de ódio", segundo Zuckerberg, o que, na prática, viola os termos de conduta do Facebook.

"Não permitimos conteúdos odiosos publicados abertamente, ou que contenham insultos étnicos, ou que incitem à violência. Havia algumas mensagens que foram contra esta regra e acho que fizemos a coisa certa [em removê-los] de acordo com nossas políticas", disse o executivo, que sabia da exclusão das postagens de cunho agressivo. Ele também não descartou abrir um escritório da empresa em território ucraniano.

Internet.org

Mark Zuckerberg

Sem dúvida, um dos projetos mais ambiciosos já lançados pelo Facebook é o Internet.org, cujo objetivo é oferecer internet gratuita para usuários que não têm condições de pagar pelo serviço. Mesmo sob duras críticas de que a plataforma pode privilegiar alguns programas em detrimento de outros - e é aí que entra toda aquela questão da neutralidade de rede -, Zuckerberg aposta na iniciativa e que é preciso conectar o maior número possível de pessoas ao redor do mundo.

"Das quase 7 bilhões de pessoas no planeta, apenas 2,9 bilhões têm acesso à internet e é justamente isso o que queremos resolver a partir da parceria com empresas e governos. Algumas pesquisas indicam que, a cada 10 pessoas que passam a ter acesso à rede, uma sai da linha de pobreza. Por isso estamos nos esforçando em prol desse projeto", declarou.

Em números oficiais divulgados pelo próprio Mark Zuckerberg, o Internet.org já chegou a 11 países e permitiu que mais de 9 milhões de pessoas acessassem serviços básicos através da web pela primeira vez. Cerca de 1 bilhão de pessoas já foram alcançadas pela plataforma, que deve chegar ao Brasil agora em junho. No mês passado, o CEO da rede social participou de um encontro com a presidente Dilma Rousseff e já acertou os detalhes de instalação do projeto por aqui. O executivo deve vir ao país no próximo mês para o lançamento do serviço em território nacional.

O vídeo completo de perguntas e respostas com Mark Zuckerberg pode ser assistido logo abaixo (em inglês). A sessão em si começa por volta dos 24 minutos:

Today’s Q&A with Mark live from Facebook HQ will begin at 4:30 PT. Tune into the live stream here.

Posted by Q&A with Mark on Quinta, 14 de maio de 2015
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