Justiça ordena Apple a desbloquear iPhone para ajudar FBI em investigação

Por Redação | 17.02.2016 às 08:48

Em uma decisão que deve colocar ainda mais lenha na fogueira do debate sobre privacidade contra a necessidade de autoridades acessarem dados confidenciais de cidadãos, um juiz norte-americano está ordenando a Apple a desbloquear um iPhone. O aparelho pertence a Syed Farook, um dos atiradores do massacre de San Bernardino, que em dezembro do ano passado, deixou 14 mortos no estado da Califórnia.

O que chama atenção na ordem proferida por Eileen M. Decker é que ela obriga a Apple não a entregar os dados contidos no aparelho, mas entregar ferramentas que permitam ao FBI quebrar proteções existentes no smartphone. Mais especificamente, a justiça pede que a Maçã disponibilize – ou crie – dispositivos que liberem o iPhone e ultrapassem a medida de segurança que apaga os dados do aparelho após dez tentativas de acesso com senhas incorretas.

De acordo com as informações do processo, o aparelho utilizado por Farook é um iPhone 5c, no qual a justiça acredita estarem informações importantes sobre a preparação dos ataques e também comunicações entre o suspeito e sua esposa, que também participou dos ataques. A ordem chega a dar uma sugestão do que pode ser feito pela Apple – a criação de um software que seja instalado no smartphone como um update e impeça a ativação da medida de segurança, permitindo que o FBI utilize um software de força bruta para tentar desbloquear o celular.

A decisão vem em resposta a um pedido do diretor do FBI James Comey, que desde o final do ano passado vem afirmando que o acesso às informações de celulares de suspeitos poderia ajudar a punir os responsáveis não apenas pelo massacre, mas auxiliar na luta contra crimes federais e o terrorismo. Ele é uma das vozes mais ativas em prol da presença de backdoors e outras tecnologias que permitam às autoridades o acesso às informações de suspeitos.

Syed Farook e Tashfeen Malik são apontados como os autores dos disparos que deixaram 14 mortos e 22 feridos na cidade de San Bernardino. Eles efetuaram disparos durante uma festa de final de ano do Departamento de Saúde Pública do município, mas falharam na detonação de três bombas. Após tentarem fugir e trocarem tiros com a polícia, os dois acabaram mortos quatro horas depois do atentado.

A Apple não falou oficialmente com a imprensa sobre a decisão e, de acordo com o processo, tem cinco dias para recorrer da ordem judicial. Entretanto, não se sabe ao certo qual o prazo dado à empresa para disponibilização da solução que quebre a segurança caso ela acate a determinação do juiz.

Fonte: Re/Code