John McAfee se oferece para quebrar criptografia do iPhone para o FBI

Por Redação | 18 de Fevereiro de 2016 às 17h13

“Se você duvida de minhas credenciais, busque no Google por ‘lenda da cibersegurança’ e veja o nome que aparece na primeira colocação”. Foi com essa frase que John McAfee, o criador de um dos principais antivírus do mercado, especialista em proteção online e, agora, pré-candidato à presidência dos EUA, se oferece para um trabalho bastante peculiar: quebrar a criptografia do iPhone utilizado pelo terrorista responsável pelo massacre de San Bernardino, na Califórnia.

Mas ele faz isso não por acreditar na segurança nacional ou que a abertura no aparelho signifique que os americanos estarão mais protegidos. Quando se fala em John McAfee, as coisas nunca fazem muito sentido. Para o especialista, deixar que ele e seu time trabalhem no aparelho e o desbloqueiem – um processo que ele afirma ser capaz de concluir em três semanas – é a única forma de proteger a privacidade digital e o modo de vida online a que estamos acostumados hoje. Caso contrário, se não conseguir, afirma que vai "comer um sapato" em rede nacional, na televisão.

Na visão de McAfee, a ordem judicial que quer obrigar a Apple a criar um backdoor no iOS “exclusivamente” para o FBI é uma prova da incompetência das autoridades. O governo teria fundos e ferramentas o suficiente para que hackear um iPhone fosse coisa de criança, entretanto, não contrata as pessoas certas para o trabalho e, por conta disso, está “décadas atrasado na corrida digital”.

Ele também explica o porquê disso. As agências federais contratam especialistas diretamente das principais universidades dos Estados Unidos. São mauricinhos, afirma McAfee. Os verdadeiros especialistas, com um conhecimento “que desafia a compreensão humana”, entretanto, não estão nas faculdades. O FBI e a CIA, por exemplo, não empregam gente com “moicano roxo, alargadores na orelha e rosto tatuado, que querem fumar maconha enquanto trabalham e receberem meio milhão de dólares por ano”. Por outro lado, países rivais, como China e Rússia, não têm problema algum em fazer isso. E é aí que está o x da questão.

Para McAfee, a criação de um backdoor no iPhone pela Apple é semelhante a entregar as chaves do armamento nuclear americano aos inimigos. Por mais que o FBI garanta que pode proteger essa tecnologia e que ela seria utilizada uma única vez, isso não é nada seguro, e basta que a ferramenta exista para que pessoal-chave comece a ser subornado e receba ofertas de encher os olhos. E aí, é só um deles aceitar a proposta para que todas as portas estejam abertas.

O especialista em segurança diz que a emissão da ordem judicial marca um dia negro e o começo do fim da soberania dos EUA como potência mundial. E que, caso o governo realmente obrigue a Apple, ou qualquer que seja o fabricante, a criar uma backdoor para uso próprio, restam apenas bravatas para defender os cidadãos. É, para McAfee, pedir para que os inimigos não realizem ataques, e esperar que eles concordem com isso.

É claro que o governo não respondeu à oferta de McAfee, e nem deve fazer isso. Nesta quarta-feira (17), a Apple publicou uma carta aberta assinada por seu CEO, Tim Cook, afirmando que não vai acatar à ordem judicial que pede a criação de uma versão customizada do iOS, sem a medida de segurança que apaga todos os dados do aparelho após 10 tentativas incorretas de acesso por meio de código numérico.

No centro da questão, está o iPhone 5c que pertencia a Syed Farook, um dos terroristas apontados como o responsável pelo massacre de San Bernardino, que deixou 14 mortos e 22 feridos em dezembro do ano passado. Ao lado da mulher, ele abriu fogo durante uma festa de final de ano do Departamento de Saúde Pública do município, além de ter tentado, sem sucesso, explodir uma bomba no local. Os dois foram mortos pela polícia horas depois, enquanto tentavam fugir.

Fonte: Business Insider