iOS e OS X, em breve, podem ser um só

Por Felipe Demartini | 09 de Junho de 2015 às 12h20

Começou com uma integração de aplicativos, permitindo que os usuários começassem a digitar um email no computador e, caso precisassem sair, terminassem de fazer isso no iPhone. Com o tempo, o OS X ganhou novidades como um sistema de notificações e o Launchpad, com atalhos semelhantes aos do iPhone e iPad. E, agora, a recíproca também foi verdadeira, com os dispositivos móveis da Apple ganhando funcionalidades que se assemelham bastante às de um notebook.

Pouco a pouco, a Maçã parece estar acomodando os usuários e encaminhando todos eles para uma integração completa entre o iOS e OS X, potencialmente transformando-os em uma coisa só da forma menos drástica possível. É uma forma de aderir a uma das grandes marchas do mercado atual de tecnologia, que caminha cada vez mais na direção da integração e menos na da segregação. A ideia é combinar tudo, e isso, para os usuários, não deve ser nada ruim.

Alguns dos anúncios realizados pela Apple nesta segunda-feira (8), durante a WWDC 2015, apontam justamente nessa direção. O objetivo, aqui, é simples – deixar os Macs com mais cara de tablets, e os iPads, principalmente, mais parecidos com os computadores. São atualizações que podem ser consideradas pequenas para alguns, mas que aparecem como grandes incrementos para quem costuma trabalhar usando os equipamentos.

Em busca de mais produtividade, o novo sistema operacional da Apple para computadores, batizado de El Capitan, permitirá que os aplicativos sejam executados em tela cheia. Movimentos com os dedos no trackpad, por exemplo, permitirão que os usuários vejam tudo o que está aberto e façam a mudança de um software para outro, mantendo apenas um deles na tela por vez. É, sim, algo que já era possível, mas que agora aparece com interface reformulada e mais foco visual.

iOS 9

Enquanto isso, o iPad recebeu duas adições bastante comemoradas pelos usuários. A primeira delas é o multitasking que, finalmente, vai permitir que o usuário abra e utilize duas aplicações ao mesmo tempo na tela. Seria possível, por exemplo, assistir ao vivo à apresentação desta segunda, na WWDC 2015, e redigir o texto que você conferiu aqui no Canaltech, com todas as novidades, simultaneamente.

Além disso, os tablets receberão outra funcionalidade que aparece tipicamente em televisores, o picture-in-picture. Enquanto se escreve um texto como este, por exemplo, seria possível assistir a um show de sua banda preferida em um cantinho da tela, no iPad.

A Apple também está transformando o teclado do tablet em uma espécie de trackpad, de forma a facilitar ações como a seleção de texto, por exemplo. Ao tocar com dois dedos nas teclas virtuais, é possível selecionar palavras e frases para apagá-las, acrescentar dados ou tirá-las do lugar de uma só vez, uma adição bastante bem-vinda, já que fazer isso na tela de toque não é coisa fácil.

Você já viu isso antes

Como sempre acontece em eventos desse tipo, as novidades anunciadas pela Apple no palco da WWDC 2015 foram dignas de aplausos da plateia. Por outro lado, elas não são necessariamente inovações, e sim, evoluções, como bem definiram analistas de mercado ao falarem sobre o assunto. São adições que vêm para somar, mas que não apresentam nada de realmente inédito.

A ideia de utilizar dois aplicativos ao mesmo tempo em um tablet, por exemplo, já está presente em aparelhos da Samsung, enquanto o Windows, desde o lançamento de sua versão 8, já investe em softwares rodando em tela cheia de verdade para fomentar a produtividade. São mudanças que caíram bem no gosto dos usuários e que, agora, parecem estar no caminho para se tornarem padrão.

Windows 10

A própria integração entre os sistemas móveis e para desktops também já foi apresentada pela Microsoft como uma das grandes mudanças do Windows 10. Com apps universais e soluções que rodam em todas as suas plataformas, a empresa deseja reduzir ainda mais as barreiras entre os diferentes equipamentos, trazendo uma experiência semelhante aos usuários independentemente do aparelho que se escolheu utilizar.

Levando em conta que sua principal concorrente no mundo dos PCs – mas bem menos no mundo mobile – está fazendo isso, parece óbvio que a Apple realize a mesma mudança em breve. A diferença é que, aqui, isso representaria uma abrangência muito maior, levando em conta os números de usuários com dispositivos iOS. A recíproca também é verdadeira, porém, já que o total de utilizadores do OS X nem de longe se aproxima da base instalada do Windows.

Apesar de todos os indícios, a Apple evitou falar em algo assim durante o evento desta segunda. A aproximação entre as plataformas parece óbvia, mas a companhia ainda não falou, com todas as letras, em uma união entre elas, apesar de ambas já compartilharem aplicações. O segredo ainda parece estar oculto, mas nem tanto.

O que teremos, no final das contas, é mais uma guerra. Ela já foi batalhada no campo dos aplicativos, dos celulares e das vendas de aparelhos, com vitórias parciais ou completas para todos os lados. Agora, é hora do combate da integração, onde, aparentemente, quem vai sair ganhando é o usuário, com funcionalidades que tornam os aparelhos que ele já possui mais versáteis e completos.

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