Intel mostra inovações com RealSense e IoT durante Future Showcase

Por Rafael Romer | 05 de Novembro de 2015 às 00h27
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

A Intel promove nesta semana, em São Paulo, sua Innovation Week, evento que apresenta algumas das mais recentes inovações da empresa e a visão do futuro da tecnologia no Brasil para os próximos anos. Nesta quarta-feira (4), viemos até o Showcase montado pela norte-americana para mostrar alguns destes produtos e protótipos carregados com novas tecnologias. E apesar de muita coisa por aqui já ser conhecida, algumas aplicações dessas ferramentas são bem interessantes.

RealSense

A tecnologia de reconhecimento de imagens RealSense já não é uma novidade e deu as caras por aqui já no ano passado, quando a Intel também mostrou algumas tecnologias inovadoras durante seu Future Showcase. Ainda assim, 2015 é o ano que marcou a chegada dos primeiros dispositivos carregados com o RealSense no mercado, em notebooks de empresas como Dell, HP e Lenovo, e as aplicações possíveis da tecnologia continuam a impressionar.

Para quem não conhece, o RealSense faz uso de múltiplas câmeras para observar objetos e pessoas em três dimensões, o que permite que as imagens do computador sejam agora captadas com profundidade. A plataforma também é aberta, o que permite que diversos softwares sejam construídos sob o RealSense, criando sistemas para funções de análise facial, detecção de gestos e dedos e até reconstrução digital em 3D de objetos do mundo real.

Por aqui, a Intel mostrou algumas das aplicações da tecnologia já em funcionamento. O primeiro exemplo foi para o simulador de corrida iRacing, que usa câmeras RealSense para detectar a posição da cabeça do jogador e controlar o movimento da imagem que aparece nos monitores de acordo com o local para onde o gamer está olhando. A aplicação pode ir além: de acordo com a Intel, esse tipo de interação pode aumentar a imersão também em simuladores de voo, por exemplo, o que pode tornar o treinamento de novos pilotos mais realista.

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Câmeras detectam movimentos da cabeça do usuário e os acompanham com imagens nos monitores (foto: Rafael Romer/Canaltech)

Outra função que pode ajudar alguns gamers usa a detecção de profundidade para "recortar" a imagem do rosto usuário independentemente do espaço onde ele está. Com essa função é possível, por exemplo, se filmar e colocar o feed da câmera sob uma outra imagem em movimento, tudo em tempo real e sem precisar da tradicional tela verde para esconder o fundo do lugar onde você estiver. Já imaginou o quanto isso pode facilitar a vida de produtores de let's play no YouTube?

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Tecnologia "recorta" rosto do usuário do fundo através da detecção de profundidade (foto: Rafael Romer/Canaltech)

Essa mesma função pode ser usada também para segurança. Com a leitura facial tridimensional do Windows Hello, agora é possível desbloquear um notebook apenas mostrando seu rosto para câmera. A Intel fez uma demonstração em tempo real da leitura de um novo rosto usando o RealSense, e depois de digitalizado, é possível usar o modelo em 3D do rosto para outras coisas, como montar um personagem virtual com a cara do usuário. As imagens em 3D podem ter ainda diversas outras utilidades, já que esse tipo de arquivo pode ser manipulado em programas de modelagem, como AutoCAD, para futuramente serem impressas em máquinas 3D.

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Digitalização do rosto de um usuário (foto: Rafael Romer/Canaltech)

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Rosto digitalizado colocado sobre o corpo de um personagem digital (foto: Rafael Romer/Canaltech)

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Modelo digital construído pelo ItSeez3D pode ser utilizado em impressora 3D, por exemplo (foto: Rafael Romer/Canaltech)

Uma última aplicação interessante mostrada por aqui promete juntar o RealSense com outra tendência atual da tecnologia: os drones. Com uma série de câmeras montada sobre o topo do equipamento, o Firefly, da Ascending Technologies, é capaz não só de voar de forma autônoma através de um trajeto escolhido por GPS, mas também de desviar de objetos no mundo real por meio de leitura 360º dos seus arredores.

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Ao fundo é possível ver imagens das silhuetas das pessoas que estavam circulando ao redor do drone (foto: Rafael Romer/Canaltech)

Internet das Coisas

Também não é nenhum segredo que a Intel faz grandes apostas na tendência da Internet das Coisas. Em janeiro do ano passado, por exemplo, a norte-americana revelou durante a CES seu system-on-a-chip Edison, um computador praticamente completo do tamanho de um cartão SD. As aplicações da tendência são inúmeras, mas alguns exemplos de aplicação prática já estão começando a surgir.

O primeiro exemplo trazido pela Intel foi esse protótipo de uma estufa inteligente, que além de ter diversos sensores integrados, pode ser controlada e monitorada remotamente através de dispositivos móveis para garantir que plantas dentro dela cresçam em condições ideais. Tudo pode ser comandado pela rede, das aberturas laterais para circulação de ar ao ventilador lateral, passando pela iluminação interna até chegar no esguicho de água.

Além de facilitar o plantio doméstico de alguns alimentos ou plantas, a estufa também abre a possibilidade a novos mercados: informações coletadas sobre o padrão para crescimento ideal de cada planta podem ser comercializadas na Internet, assim como a atualização de parâmetros baseados na coleta de todo esse big data – pigmentação das folhas, taxa de crescimento, índice de umidade ideal, entre outros.

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Estufa inteligente utiliza sistema Intel Secure API para fazer "conversa" entre os sistemas (foto: Rafael Romer/Canaltech)

Na área de saúde, a Intel demonstrou esse protótipo de tala inteligente (que substitui o gesso) apelidado de Smart Splint, que vem carregada com um módulo Edison com sensor de pressão. Através do sensor, o médico pode receber informações do estado de saúde do paciente utilizando a tala feita em impressora 3D, que envia dados pela rede. É possível coletar informações sobre o nível de dor que o paciente está sentindo, por exemplo: quanto mais o braço estiver pressionando o sensor interno, maior a dor – o que pode ser resolvido com uma atualização em tempo real do tratamento.

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Sensor embutido na tala pode orientar mudanças no tratamento em tempo real (foto: Rafael Romer/Canaltech)

Outro potencial importante para a Internet das Coisas está em aplicações de segurança. Nesse exemplo demonstrado pela empresa, desenvolvido internamente por uma funcionária da Intel e já em período de testes com algumas marcas, um Intel Quark equipado com Bluetooth é colocado junto ao cinto dessa cadeirinha de bebê para carros, apelidada de Smart Clip. A ideia é que a cadeirinha se comunique com o smartphone do pai ou mãe da criança para evitar que o bebê seja esquecido dentro do carro. Quando o smartphone se afasta do sistema conectado, um alarme dispara no dispositivo móvel e só pode ser desativado quando estiver novamente na área de alcance do sistema – ou seja, se os pais retornarem para buscar o bebê.

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Sistema Smart Clip impede que bebê seja esquecido dentro do carro trancado (foto: Rafael Romer/Canaltech)