Intel foca em Educação, Saúde e Transporte para ampliar negócios no Brasil

Por Rafael Romer | 05 de Novembro de 2015 às 18h38
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

Há algum tempo que a Intel deixou de ser apenas uma fabricante de hardware e fornecedora de processamento para se tornar uma empresa cada vez mais próxima de diferentes ecossistemas da economia, trabalhando junto a parceiros de tecnologia, pesquisadores e outras organizações para desenvolver e criar novas possibilidades de negócios nos países onde atua.

Com investimentos em áreas como Internet das Coisas, games, computação 3D, carregamento wireless, a empresa tem buscado uma estratégia de segmentação através de atuação em verticais, escolhendo mercados específicos para trabalhar junto com outras empresas no fornecimento de soluções além das que tradicionalmente são "a cara" da Intel.

“A Internet das Coisas dá uma oportunidade para Intel entregar sua tecnologia além dos locais tradicionais onde estamos acostumados a ver a marca”, comentou o vice-presidente corporativo e gerente geral da Intel nas Américas, Christopher Bruno, durante uma conversa com a imprensa no Intel Innovation Week, nesta quinta-feira (5). ”As pessoas não pensam em nós dentro de data centers, provendo poder de computação, armazenamento, capacidade de rede. Estamos inovando nesses espaços como nunca para conduzir mais crescimento e atualização”.

Aqui no Brasil, a empresa escolheu verticais que fogem de setores tradicionais em adoção de tecnologia, como financeiro e entretenimento, mas que abrem um leque de possibilidades interessantes para ela. “Existia frustração em várias áreas da economia”, explicou o Diretor Geral da Intel Brasil, David Gonzalez. “A gente escolheu no Brasil três áreas de foco: educação, transporte e saúde”.

Focar nessas áreas, no entanto, significa “mergulhar” no ecossistema de empresas brasileiras do setor, aprendendo particularidades e necessidades desses mercados, fazendo networking e até investimentos para descobrir a melhor forma pela qual a companhia poderia ofertar suas tecnologias. “É uma questão de entender que cada país ou mercado exige olhar mais de perto e entender quais são as dinâmicas para conseguir juntar as diferentes partes com tecnologias nossas e dos parceiros de onde estamos”, avaliou Gonzalez.

Durante sua apresentação no evento, Gonzalez deu alguns exemplos de projetos que já são resultado desses investimentos. Na área de educação, a Intel desenvolveu e implementou 1 milhão de unidades do Intel Education Content Access Point (IECAP), um dispositivo voltado para alunos do ensino público que leva em conta problemas nacionais como falta de banda larga e instabilidade da rede elétrica em regiões distantes. Os dispositivos são capazes de armazenar até 500 GB de dados em cache de sites da web, além de ter 5 horas de uso contínuo de bateria – o que significa que uma aula pode continuar mesmo offline ou em um local sem energia elétrica.

Na área de transportes, um trabalho com tags inteligentes para leitura de informações veiculares já levou a instalação de um milhão de equipamentos em parcerias com empresas como Sem Parar, derrubando o tempo de cobrança em pedágios de 2 minutos para 5 segundos e o tempo de controle de acesso em estacionamentos de 1 minuto para 2 segundos.

Isso não significa que deveremos ver a Intel se afastando completamente de seus setores tradicionais de atuação, mas sim expandindo para novas áreas que se complementam nas novas tendências de tecnologia. “Estamos expandindo nosso foco de negócios. Esses negócios são grandes, vibrantes, estão crescendo e estão maturando”, opinou Bruno. Para este ano, por exemplo, a Intel deve bater novamente sua meta de tablets enviados, após um 2014 que mostrou resultados acima do esperado no setor – a expectativa era de enviar 40 milhões de aparelhos globalmente, mas mais de 46 milhões foram produzidos.

Para 2016, a empresa também espera manter os níveis de investimento no mercado brasileiro mesmo com o atual cenário macroeconômico negativo. “A gente não tem motivo para mudar o nível de investimento; a gente precisa entender o longo prazo no Brasil”, explicou David Gonzalez. “Entendemos o potencial e, como filosofia da companhia, precisamos manter o nível de investimento”. Ainda assim, a empresa deve ter “prudência” nos investimentos e reconhece que não está vendo os mesmos índices de investimento de alguns anos.

Intel

O Diretor Geral da Intel Brasil, David Gonzalez, durante sua apresentação no Intel Innovation Week nesta quinta-feira (5) (Foto: Rafael Romer/Canaltech)

Inscreva-se em nosso canal do YouTube!

Análises, dicas, cobertura de eventos e muito mais. Todo dia tem vídeo novo para você.