Insuficiência na produção pode ser motivo para ritmo lento de vendas da Tesla

Por Redação | 09 de Agosto de 2016 às 06h44
photo_camera Benjamin Zhang/Business Insider

A queridinha de Wall Street, Tesla, apesar de suas tecnologias inovadoras e planos ambiciosos, ainda vê sua produção caminhar em um ritmo muito mais lento do que as principais concorrentes. E um dos motivos para que a montadora não consiga estar entre os líderes de produção é seu giro de estoque menos eficiente do que das demais companhias. Com isso, a companhia deixa os analistas e especialistas do setor um tanto quanto céticos com relação à sua capacidade de atingir sua meta de produção - que, por sinal, é monumental.

E por que o giro de estoque é um fator tão importante nessa situação? Essa é uma métrica usada para medir a capacidade de uma empresa de transformar suas matérias-primas em dinheiro. Ela mede o número de vezes em que o estoque é vendido em um determinado período de tempo, e isso dita o volume dos negócios. As fabricantes então devem mirar em um número elevado de giro de estoque uma vez que números baixos podem significar ineficiência de produção.

Por exemplo: se uma montadora leva quatro semanas para fabricar um carro, mas se seu equipamento quebra com frequência e esse tempo é estendido para seis semanas, isso acaba diminuindo o volume de negócios e o fluxo do estoque de matérias-primas. Outra razão para que o giro de estoque permaneça abaixo do ideal são pedidos de peças em excesso, seja por erro de cálculos ou incidente. Quer dizer, se a companhia acaba pedindo duas vezes o número de volantes que precisa para sua produção, esses itens adicionais ficarão armazenados ali por mais tempo e farão com que o giro de estoque seja menor. Então, ao passo em que a Tesla vem aumentando sua produção, seu giro de estoque ainda baixo pode fazer com que os investidores pensem duas vezes sobre a continuidade desse investimento. No entanto, essa métrica fornece uma ideia estreita do ambiente de produção, e a Tesla apresenta alguns fatores exclusivos que podem fazer com que seu baixo giro de estoque seja perdoado - ou, ao menos, explicado.

Model X

O Model X, SUV elétrico da Tesla (Reprodução: Divulgação)

Usando como exemplo a situação do Model X, o SUV elétrico da Tesla cuja primeira produção isenta de falhas aconteceu somente em maio deste ano: tratando-se de um modelo de veículo diferente do que vinha sendo produzido, é natural que um primeiro momento seja dedicado a testes, aplicações e correções de erros. Nesse período, naturalmente o giro de estoque dessa produção será baixo, e esses números não significarão exatamente uma produção fraca ou insuficiente. E a Tesla costuma justificar seus baixos números nessa métrica justamente com a produção do Model X e seu exemplo peculiar.

Mas claro que outros fabricantes também constantemente têm novos produtos em suas linhas de produção, que também enfrentam os problemas iniciais de acompanhamento, testes e correções de falhas, e essas outras montadoras conseguem manter um giro de estoque muito mais atrativo do que o atual da Tesla porque elas têm uma vasta gama de modelos de automóveis, ou ainda outros produtos, sobre os quais podem espalhar seus custos. A Ford, por exemplo, que manteve um alto nível de giro de estoque em 2015, tem cerca de 30 ofertas de grande escala, enquanto a Tesla tem somente duas no momento. No ano passado, a montadora de carros elétricos entregou um total de 50.580 veículos, mesmo com muitos tropeços pelo caminho. Até 2018, de acordo com o CEO Elon Musk, os planos da companhia envolvem aumentar em dez vezes a produção anual, e essa aceleração ambiciosa na fabricação dos carros está pautada nas projeções de vendas do Model 3 - o sedã elétrico anunciado em 2016.

Tesla 3

O sedã elétrico Model 3, que a Tesla lançou em 2016 (Reprodução: Divulgação)

Contudo, ao analisar a variação do giro de estoque da Tesla em comparação com o aumento de sua produção, os números ainda podem ser considerados inconsistentes e gerar desconfianças nos investidores da companhia. Essa métrica, atualmente, acaba mostrando que a montadora ainda está imatura no que diz respeito a seu ritmo de produção, mas, à medida que cresce, é esperado que o giro de estoque da companhia se equipare ao das demais montadoras que estão na mesma categoria da companhia de Elon Musk.

Fonte: Business Insider