Inovação garante o futuro dos alimentos

Por Colaborador externo | 06.09.2016 às 21:10 - atualizado em 08.09.2016 às 14:43

Por Dennison John*

Historicamente, a Agricultura tem sido um dos principais motores de crescimento para as economias da América Latina. É uma tendência que não tem previsão de mudança quando olhamos para o futuro: em 2024, o comércio líquido de produtos agrícolas na região deve alcançar US$ 60 bilhões, de acordo com números da FAO, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.

As empresas desse setor devem estar preparadas para garantir a segurança alimentar nos próximos anos, reduzir custos de produção, ajudar a oferecer alimentos de maior qualidade e em maior volume, e manterem-se competitivas. A chave para alcançar estes objetivos é trilhar o caminho da transformação digital.

Tecnologia não é algo estranho para os produtores da região. Há anos que os maiores produtores de alimentos confiam na "agricultura de precisão", que combina dados obtidos através de sistemas de posicionamento geográfico (GPS), sensores de solo e imagens de satélite e, cada vez mais, drones que sobrevoam as plantações para capturar todos os tipos de dados sobre irrigação, temperatura e crescimento das lavouras. Alguns provedores de insumos agrícolas têm ido além, e utilizam sensores para identificar os níveis de nitrogênio e potássio no campo, antes de recomendar o tipo de semente e fertilizante a ser utilizado pelas fazendas.

Um exemplo na região é o fabricante brasileiro de máquinas agrícolas Stara, que desenvolveu um protótipo, em parceria com o SAP Labs, que permite usar a Internet das Coisas para que tratores, semeadoras, distribuidores e pulverizadores, coletem dados. As informações podem ser usadas pelos agricultores em tempo real e integradas com os sistemas de gestão para tomar melhores decisões sobre processos de plantação, preparo do solo, pulverização e colheita.

Combinando as informações dos sensores com as dos sistemas GPS, os trabalhadores podem determinar o melhor lugar para cultivar cada semente, com precisão milimétrica. Isso evita desperdício de insumos (não é mais preciso plantar as sementes e rezar para que algo aconteça) e reduz o uso de fertilizantes, pois se planta em áreas com melhores nutrientes.

Para poder aproveitar essa riqueza de dados, inclusive relatórios históricos de clima ou movimentação do mercado, é imperativo adotar uma solução de Big Data que seja capaz de processar as informações em tempo real. Ela pode ser usada para fazer simulações de curto e longo prazos e assim responder a situações inesperadas, como secas e inundações causadas pela mudança climática ou o surgimento de novas demandas do mercado. Além disso, para ser utilizada para rastrear produtos detalhadamente em toda a cadeia de produção e abastecimento, desde a preparação do solo até a colheita e embalagem dos alimentos.

A importância do Big Data no futuro da agricultura é tão grande que o Congresso Nacional dos Estados Unidos já realizou uma audiência para discutir o uso dessas soluções para proteger a água e os ecossistemas naturais baseado na capacidade de otimizar a produção agrícola.

Chegou a hora em que as empresas agrícolas devem começar a semear a inovação para colher resultados positivos.

*Dennison John é diretor executivo do SAP Labs América Latina.