Hugo Barra anuncia que está deixando a Xiaomi

Por Redação | 23.01.2017 às 07:09

Hugo Barra anunciou nesta segunda-feira (23) que está deixando a Xiaomi. Vice-presidente global da fabricante chinesa de smartphones, o executivo brasileiro foi um dos principais responsáveis pela expansão da marca e sua saída é um forte indício de que ela já teve dias melhores e agora está pisando no freio.

Em um extenso post no Facebook, Barra agradeceu os três anos e meio que passou na Xiaomi e disse que a companhia foi a "maior e mais desafiadora aventura" da vida dele. Contudo, ele alega que isso teve um custo muito grande e que começou a afetar sua saúde e que por isso vai começar a deixar o cargo na empresa em fevereiro, após o Ano Novo chinês: "vou tirar umas merecidas férias antes de embarcar numa nova aventura no Vale do Silício", escreveu indicando seu próximo destino. Com a saída de Barra, Xiang Wang, vice-presidente sênior da Xiaomi, é quem assumirá o posto.

Antes de se mudar para a China e assumir a posição a vice-presidência global na desconhecida fabricante de smartphones em 2013, Hugo Barra era o vice-presidente de produtos do Android no Google. À época, a Xiaomi tinha apenas três anos de existência e revolucionava o mercado local com sua proposta de aparelhos de excelente custo-benefício vendidos apenas online.

Barra, então, chegou como a primeira grande contratação de uma empresa chinesa fabricante de dispositivos móveis e tinha como principal objetivo expandir a atuação da marca e torná-la famosa fora da China. Agora, entretanto, com a saída do executivo, parece que os planos de crescimento foram abandonados.

Fim da expansão?

Apesar de ter sido bem-sucedida em sua investida na Ásia e sobretudo na Índia, a Xiaomi jamais conseguiu chegar aos Estados Unidos e falhou ao tentar desembarcar na América do Sul. Prova disso é que a empresa até começou a atuar no Brasil, mas sumiu repentinamente e deixou seus clientes a verem navios.

O resultado disso é que nos últimos dois anos a Huawei, Oppo e Vivo ultrapassaram a Xiaomi e se tornaram as principais fabricantes chinesas de smartphones. Agora que Barra apresentou sua carta de demissão, é pouquíssimo provável que esse cenário mude e que a outrora apelidada "Apple chinesa" continue sua expansão mundo afora.

Outra prova disso é que, na semana passada, a companhia anunciou que tem como meta uma receita de US$ 14,5 bilhões em 2017 - a mesma meta de dois anos atrás.

Fonte: Hugo Barra (Facebook), CNBC, Fortune