Huawei aposta em projetos de cidades inteligentes para fornecer eLTE no Brasil

Por Rafael Romer | 03 de Julho de 2015 às 10h45

A empresa de soluções em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) Huawei promoveu nesta quinta-feira (02), em São Paulo, seu encontro para discussão de Cidades Inteligentes, o Digital City Summit 2015. O fórum ocorre em um momento que a chinesa busca expandir sua presença no país com suas soluções para cidades digitais, na busca por conscientizar membros do poder público de que o uso da tecnologia pode promover avanços socioeconômicos, além de reduzir gastos com a manutenção de serviços públicos nas cidades.

Atualmente, a Huawei possui uma série de produtos e soluções de fim-a-fim com foco em cidades inteligentes, implementadas em cerca de 60 cidades em mais de 20 países. No Brasil, a empresa já atua com mais de 200 parceiros para o fornecimento de tecnologias e infraestrutura de TICs para habilitar a construção de projetos nas áreas de comunicação, segurança pública e até financeira.

O projeto mais recente da empresa no país foi anunciado no final de maio deste ano, no município de Luís Eduardo Magalhães, cidade com 80 mil habitantes localizada no oeste da Bahia. No local, a Huawei fechou uma parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para integração do 4G (LTE) na rede pública do município.

Ao todo, o projeto teve investimento de R$ 1,6 milhão do MCTI para a instalação de 59 km de fibra ótica, além de oito torres de comunicação e 30 pontos públicos de Wi-Fi. A ideia é que o sistema também permita a criação de uma intranet que integre serviços públicos da cidade – em breve, cidadãos do local poderão informar pela internet quando um poste de iluminação pública estiver com defeito, por exemplo.

Uma das tecnologias mais recentes da companhia chinesa para o setor é o seu padrão de comunicação baseado em redes seguras LTE, apelidado de eLTE. O padrão permite a forças de segurança pública o uso de comunicadores de rádio através da rede 4G (LTE), capazes de compartilhar conteúdo não só de áudio, mas também de vídeo em tempo real para suas centrais de controle.

O padrão também utiliza um canal de comunicação independente das bandas tradicionais de LTE, o que garante que as transmissões funcionem mesmo em ambientes de grande concentração de público.

Chen Xi

Chen Xi, o Cônsul Geral da China falou sobre a colaboração entre os dois países durante o evento em São Paulo (foto: divulgação)

A empresa aposta agora em uma "mudança de geração" das tecnologias de segurança para ganhar espaço no mercado nacional com seus sistemas eLTE. "Algo parecido aconteceu há 15 anos, com a mudança do analógico. Hoje nós estamos migrando o digital para o multimídia", explicou Anderson Tomaiz, gerente de soluções sênior da Huawei do Brasil, ao Canaltech.

Atualmente, a Huawei tem cerca de 15 provas de conceito no Brasil com sua tecnologia eLTE. Dois dos projetos foram realizados na cidade do Rio de Janeiro. No primeiro, o Corpo de Bombeiros do estado utilizou o sistema para monitorar a praia de Ipanema durante o Réveillon passado. Também no carnaval deste ano, a Polícia Militar carioca foi equipada com os rádios baseados em eLTE para a segurança do sambódromo da cidade. Além disso, houve também um projeto piloto com a Polícia Militar do Distrito Federal para entrega da tecnologia.

Para alavancar os negócios no setor de segurança, a empresa também anunciou nesta quinta o fechamento de uma parceria com a empresa sueca de soluções geoespaciais e de engenharia Hexagon. As duas empresas deverão trabalhar na integração de suas infraestruturas para serviços de segurança pública, que hoje incluem monitoramento de vias públicas, câmeras e soluções de mobilidade para forças de segurança como polícia e bombeiros.

Hoje, a Hexagon é responsável pelo sistema de software de gestão de trânsito e do transporte público na cidade de São Paulo. A expectativa é que, com a parceria, a Huawei forneça sua infraestrutura e equipamentos para expansão dos serviços da companhia para outras iniciativas no país.

A Huawei não divulga números sobre o tamanho de seu negócio ligado às cidades inteligentes no Brasil, mas aposta que a necessidade de redução de custos do setor público através da adoção de novas tecnologias pode expandir o mercado aqui. "A tecnologia existente não tem mais evolução, o próximo paso é ir para o LTE. A velocidade de adoção só depende do orçamento dos municípios e estados", afirmou Tomaiz.

De acordo com o executivo, a expectativa da empresa é que este ano sirva como vitrine para as soluções da empresa, com a demonstração de cases de aplicação de suas tecnologias que estimulam novos projetos.

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