HPE quer levar a Internet das Coisas para além dos data centers

Por Leandro Souza | 09 de Junho de 2016 às 11h27
photo_camera HPE Divulgação

*De Las Vegas, Nevada

Você já parou para pensar no tráfego de dados que um carro conectado sem motorista utiliza? Segundo dados do Google, cerca de 750 MB são processados por segundo para que esses carros tomem as decisões para andar pelas ruas, analisando imagens, informações do carro e rotas. É uma carga grande de dados para transacionar na web, ainda mais no cenário atual, em que a maioria das informações de Internet das Coisas são enviadas de pontos de coleta de dados até um data center remoto. Para mudar esse processo, a Hewlett Packard Enterprise defende a ideia de que o processamento de dados também deverá ficar nos dispositivos, e não somente nos data centers.

O foco em IoT foi um dos principais pontos tratados pela multinacional durante o HPE Discover, em Las Vegas, evento no qual ela apresentou uma nova arquitetura para levar capacidades de data center para os pontos onde até então só ficariam sensores de captura de dados. De acordo com a companhia, não se tratam apenas de novos produtos, e sim de uma nova categoria de computação chamada de Converged IoT Systems.

O lançamento consiste em dois novos produtos, os appliances Edgeline EL1000 e EL4000, capazes de integrar captura de dados, controle, computação e armazenamento para entregar análise de dados na ponta dos sistemas de IoT. Disponíveis em diferentes tamanhos e formas, eles podem suportar até 64 núcleos Intel Xeon para processamento, podendo rodar desde aplicações simplificadas até mesmo o HPE Vertica, de análise de Big Data, completo, dependendo da configuração.

A tônica é simples: ao invés de ter a análise apenas de forma remota e ter que trafegar os dados entre a ponta onde os dados são captados até os servidores em um data center para a análise, ela é realizada em tempo real.

Para a CEO da HP, Meg Whitman, a entrega destas capacidades com a família Edgeline chega para "mudar o jogo" no mercado de Internet das Coisas, que deverá abranger mais de 26 bilhões de dispositivos e movimentar cerca de US$ 1,7 trilhão até 2020.

A multinacional usou o exemplo do carro sem motorista para ilustrar a necessidade do processamento nas extremidades da infraestrutura de IoT. Em um carro em exibição durante o evento, o porta-malas do veículo guarda um mini-datacenter capaz de tomar decisões rápidas com os dados coletados durante o percurso.

Para o vice-presidente e gerente geral de servidores e sistemas de IoT da HPE, Tom Bradcich, mover tarefas críticas da Internet das Coisas de um data center para a ponta pode trazer benefícios importantes para diversos setores.

"Além do ganho em tempo, com a eliminação da latência que existe no tráfego de envio das informações dos pontos de coleta de dados até o data center e o retorno destes dados processados, também se economiza em uso de banda de internet, por exemplo", explica o executivo.

Para JR Fuller, gerente de negócios para IoT da HPE, a redução da dependência de conectividade torna a família Edgeline um produto atraente para o mercado latino-americano, que reconhecidamente ainda sofre com problemas de velocidade de banda e instabilidade em suas conexões.

"Na América Latina, enxergamos diversas oportunidades, principalmente em verticais como as de telecomunicações, indústria e energia, que precisam gerenciar e monitorar diversos pontos à distância", explica Fuller. Nos Estados Unidos, a AT&T já implementou soluções de processamento da HPE na ponta de suas estruturas de IoT.

Para complementar a oferta de sistemas convergentes de IoT, a empresa também reforçou a sua aplicação ClearPass, da subsidiária Aruba Networks. A nova versão do produto promete automatizar e simplificar ainda mais o controle de acesso a diferentes painéis de controle, tanto para IoT quanto para outros pontos da infraestrutura de TI.

* O repórter viajou à Las Vegas a convite da Hewlett-Packard Enterprise.

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