HPE aponta futuro com infraestruturas e aplicações modulares

Por Leandro Souza | 08.06.2016 às 10:01 - atualizado em 08.06.2016 às 13:24
photo_camera HPE Divulgação

De Las Vegas, Nevada*

Em um cenário onde o conceito de transformação digital na TI das empresas já começa a se desgastar antes mesmo de se tornar uma realidade, a Hewlett Packard Enterprise está colocando as suas fichas em um novo tipo de arquitetura para tentar atrair novas oportunidades - e clientes - para suas soluções. Para atender uma realidade com ambientes com data centers locais e na nuvem, a HPE aponta seu futuro no caminho das infraestruturas combináveis (composable, em inglês).

Durante o HPE Discover, evento anual realizado esta semana em Las Vegas, a companhia lançou novos produtos para acelerar este conceito, em especial uma nova versão do software de gerenciamento de aplicações OneView capaz de trabalhar com o HPE Synergy, solução lançada pela companhia no primeiro trimestre de 2016 e que é o alicerce para a visão de infraestrutura modular.

Segundo aponta a multinacional, estas infraestruturas representam um passo além do uso de sistemas convergentes. Em vez de usar sistemas e aplicações para alinhar e integrar diferentes ambientes de computação (locais e na nuvem), o propósito das infraestruturas agregadas é apostar em sistemas modulares, que podem ser organizados, monitorados e gerenciados de acordo com a necessidade de cada empresa.

"Composable é diferente dos sistemas convergentes, pois é construída do zero pronta para ser adaptável e combinável com diversos componentes. Outras arquiteturas exigem um maior esforço para essa integração, tendo que escrever diversas APIs, por exemplo", explicou Ric Lewis, vice-presidente sênior de infraestrutura de data center da HPE.

Além da infraestrutura, outro anúncio realizado pela HPE também aponta um futuro modular, mas dessa vez voltado para o campo das aplicações. A CEO da HPE, Meg Whitman, anunciou uma parceria com a norte-americana Docker para incluir o software Docker Engine em todas as suas linhas de servidores.

Criado em 2013, o Docker é um sistema de padrão aberto baseado em Linux que permite a desenvolvedores criarem, dentro de um "contêiner de dados", aplicações e os componentes necessários para rodá-los, além de aplicações capazes de funcionar em diferentes ambientes de TI sem a necessidade de customizações.

Segundo o vice-presidente executivo e gerente do Enterprise Group da HPE, Antonio Neri, até 2018, mais de 50% das novas cargas de trabalho em TI serão implementadas em contêineres em pelo menos um estágio de seu ciclo de vida, e é neste cenário que entram as infraestruturas e aplicações combináveis.

"A parceria entre HPE e Docker ajudarão a impulsionar esta tendência ao entregar infraestrutura e dados para dar às empresas o nível de predição e gerenciamento de TI esperado", afirmou Neri. Além disso, o OneView também integrará capacidades de gerenciar as aplicações rodando no Docker.

Segundo o CEO da Docker, Ben Golub, a compatibilidade nativa dos servidores HPE com o Docker apresentará a vantagem do uso de computação modular em contêineres para um público maior, sem o "susto" de comprometer os investimentos feitos por eles em sistemas já existentes.

“Companhias maiores podem alcançar resultados imediatos com o uso de aplicações existentes no Docker, podendo chegar a uma otimização de até vinte vezes em sua própria infraestrutura e aplicações rodando treze vezes mais rápido", apontou Golub.

* O repórter viajou à Las Vegas a convite da HPE