Governo italiano acusa Google de dever mais de US$ 320 milhões em impostos

Por Redação | 01.02.2016 às 14:10
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O governo da Itália se uniu a outros países, como França e Reino Unido, em uma batalha fiscal contra o Google. O governo italiano acusa a gigante das buscas de ter deixado de pagar cerca de US$ 327 milhões em impostos para o país ao ter revertido lucros obtidos nele para seus escritórios na Irlanda, de forma a pagar taxas menores.

O caso se relaciona a um período entre 2008 e 2013 e faz parte de um movimento maior, que está sendo movido por diversos países da União Europeia, em busca de regulação fiscal por parte de grandes companhias internacionais. Para as nações, muitas multinacionais, principalmente dos setores de tecnologia, possuem grandes faturamentos nos países dos Velhos Continentes, mas realizam contínuas manobras fiscais de forma a pagar menos impostos do que deveriam.

Desde 2014, por exemplo, o Google enfrenta acusação semelhante do governo francês, que afirma que a empresa deixou de pagar mais de US$ 1 milhão em impostos. Recentemente, a companhia também entrou em um acordo com o Reino Unido para pagamento de mais de US$ 185 milhões em taxas devidas ao longo de um período de dez anos, em um contrato que gerou críticas ao governo do país, que teria abrandado o pagamento em troca de cooperação da gigante das buscas.

Mais do que tudo isso, a ideia é que um acordo desse tipo poderia ser usado pelos advogados da companhia como precedente em busca de outros aceites semelhantes, e mais do que isso, dificultar a aprovação de novas normas para pagamento de impostos que estão sendo propostas pela União Europeia. A ideia dos países envolvidos é que grandes companhias internacionais sejam impedidas de realizarem manobras fiscais, mesmo que legais, em busca de redirecionar seus lucros e pagar menos impostos.

Os movimentos gerariam uma perda de mais de US$ 60 milhões em impostos anualmente, de acordo com as estimativas da União Europeia. Essa perda, claro, depende das leis locais, e é justamente por isso que a proposta de unificação está sendo discutida. A legislação alemã, por exemplo, afirma não ter problemas tributários com o Google, e o país teme que mudanças nas normas possam acabar desestimulando investimentos no Velho Continente.

Fonte: The Wall Street Journal