Governo dos EUA proíbe negócios com 46 afiliadas da Huawei

Por Felipe Demartini | 20 de Agosto de 2019 às 13h33
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O governo dos Estados Unidos incluiu mais 46 afiliadas, sucursais e braços da Huawei à chamada “lista de entidades”, empresas que, de maneira geral, estão proibidas de atuarem no país. A adição eleva para mais de 100 o total de companhias com associação à marca asiática, que vem sendo acusado pela administração de Donald Trump como um perigo à segurança nacional do país.

A notícia foi dada pelo Departamento de Comércio, com as restrições valendo já a partir desta semana. Entretanto, o governo também estendeu o prazo para que as empresas americanas se adaptem ao banimento, ampliando o limite que se encerraria neste mês de agosto por mais 90 dias. A recomendação é para que os atingidos usem o tempo para revisarem suas infraestruturas, principalmente de telecomunicações, e removam qualquer aparelho da Huawei ou de empresas ligadas a ela que esteja em operação.

Empresas que fazem parte da lista de entidades do governo dos Estados Unidos não apenas estão proibidas de atuarem em solo americano, como também não podem realizar qualquer negócio de importação ou exportação com companhias dos EUA. A Huawei foi banida depois que o governo dos EUA disse ter encontrado indícios de obstrução de justiça e prestação de serviços tecnológicos e financeiros para países inimigos como o Irã.

Mesmo antes de acabar banida, a Huawei negava veementemente as acusações e voltou a fazer isso agora. Em comunicado, a empresa voltou a falar que a decisão tem fins políticos e em nada se relaciona à segurança nacional, uma vez que não existem provas de que ela negociou com os países citados. Para a companhia, essa seria uma medida que vai contra os fundamentos do livre mercado e da concorrência livre.

A empresa ainda afirma que uma proibição desse caráter não é favorável aos interesses “de ninguém” e impede que os Estados Unidos façam parte de uma vanguarda tecnológica no campo das telecomunicações. A Huawei, novamente, disse estar em contato com o governo para reverter a decisão não apenas relacionada às 46 sucursais, mas de forma a permitir o retorno às operações de toda a companhia.

As conversas por enquanto não parecem estar dando certo, apesar de Trump já ter apresentado sinais de recuo mais de uma vez. Depois de afirmar que a Huawei poderia ser incluída em um possível acordo comercial com a China, o governo americano admitiu que vai analisar possíveis negócios entre empresas dos EUA e a asiática caso a caso, emitindo autorizações específicas caso essa relação seja imprescindível e não represente novos riscos à segurança nacional. Entretanto, depois, o próprio líder desistiu da ideia e manteve o banimento irrestrito.

Enquanto isso, a Huawei se movimenta para contornar a decisão, que leva até mesmo à impossibilidade de utilizar o Android em seus celulares. Entre as medidas já tomadas para garantir a continuidade dos negócios, estão acordos com fornecedores asiáticos de chips e a revelação do HarmonyOS, um sistema operacional próprio que ainda não estaria pronto para o mundo mobile, mas poderia chegar lá, enquanto já pode ser aplicado em iniciativas industriais ou de Internet das Coisas.

Fonte: Departamento de Comércio dos EUA

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