Google vai anunciar resultados financeiros em meio a muitas dúvidas

Por Redação | 23.04.2015 às 10:32

O Google vai divulgar nesta quinta-feira (23) os seus resultados financeiros do primeiro trimestre de 2015. As estimativas são de que a receita líquida da empresa feche na casa dos US$ 14,12 bilhões, um aumento de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Apesar da importância dos números, a grande questão é se a gigante da web também vai divulgar suas grandes apostas para o futuro da tecnologia e falar sobre o seu core business. Pensando nisso, o Re/Code levantou três áreas críticas sobre as quais os executivos do Google devem estar preparados para responder:

Futuro dos grandes projetos

No seu último anúncio de resultados financeiros, o Google admitiu que um dos seus projetos favoritos, o Glass, tinha fracassado. O diretor financeiro da empresa, Patrick Pichette, explicou que o gadget não teve o impacto esperado e que era preciso "fazer uma pausa e utilizar o tempo para restabelecer as estratégias".

Enquanto o Google reafirma que não desistiu dos óculos, outros projetos grandiosos continuam surgindo. Nesta quarta-feira (22), a empresa anunciou oficialmente que vai mesmo lançar uma operadora móvel. O "Project Fi" é um serviço de telecomunicações que, por enquanto, é restrito a usuários do Nexus 6 nos Estados Unidos.

Inovações a parte, o que os investidores querem mesmo ver são decisões convincentes sobre esses projetos, ou, pelo menos, explicações claras sobre por que eles foram cancelados ou sequer começaram, enquanto o Google continua gastando dinheiro com eles. No último trimestre, as despesas de capital chegaram a US$ 3,55 bilhões, cerca de 25% da sua receita líquida. Dois anos atrás, esse número representava apenas 9% da receita líquida da empresa.

Por outro lado, os comentários do diretor financeiro da companhia também podem indicar que a gigante da internet pode estar se tornando mais prudente em relação ao seu capital. Há pouco mais de um mês, Patrick Pichette anunciou que está se aposentando e muitos analistas estão esperançosos de que a sua substituta, a ex-executiva da Morgan Stanley Ruth Porat, acelere essa tendência. Pichette permanece no cargo até o dia 26 de maio, portanto é provável que Ruth ainda não faça parte dos anúncios financeiros desta quinta-feira.

Novidades sobre o futuro do YouTube, Google Play e motor de busca

Apesar de enfrentar algumas dificuldades, o negócio de busca e exibição de anúncios do Google vai bem. Os investidores aplaudiram a maior parte dos movimentos da empresa para melhorar o seu sistema de busca móvel, uma tentativa de trazer de volta os milhares de dólares que fugiram para o Facebook.

Agora, eles esperam que o mesmo sucesso seja repetido no YouTube e na Google Play. Até agora, o Google não revelou muitos detalhes sobre a sua estratégia para transformar esses produtos em candidatos viáveis a negócios realmente lucrativos. Embora o YouTube tenha representado cerca de 6% das vendas totais do Google no ano passado, ele não contribuiu com o lucro da empresa.

Problemas na Europa

Para o Google, o ano passado foi recheado de contratempos em diversos países, mas a principal ameaça veio de Bruxelas, a capital da União Europeia, onde a Comissão Europeia reabriu uma investigação antitruste contra o motor de buscas.

A investigação da União Europeia referente a uma possível prática desleal, onde a empresa é acusada de abusar da sua posição dominante no mercado de buscas, continua bombando. De acordo com informações divulgadas na última semana, a multa pode chegar a US$ 6 bilhões.

Apesar de não demonstrarem muito espanto em relação ao alto valor da multa – afinal, o Google tem muito dinheiro – a real preocupação dos analistas diz respeito a possibilidade do caso forçar a empresa a alterar o seu rentável negócio de buscas, acelerando ainda mais a ameaça dos concorrentes. No entanto, não podemos esperar muitas explicações diferentes do que vimos até agora por parte da empresa de Mountain View.

Fonte: Re/Code