Google registra patente de adesivo que gruda pedestres no capô de carro autônomo

Por Redação | 20 de Maio de 2016 às 10h54
photo_camera Divulgação

Ainda vai levar um tempo até que os carros autônomos do Google cheguem ao mercado - afinal, segurança é um item que a empresa faz questão de lembrar com frequência. Foi pensando nisso que a companhia registrou a patente de uma "tecnologia" (por assim dizer) inusitada que pode reforçar ainda mais esse quesito: um adesivo para pedestres.

No documento, datado de 2014, a gigante de Mountain View descreve que o adesivo é tão forte que pode prender seres humanos no capô de seus veículos sem motoristas. A ideia é justamente evitar que, em caso de colisões, pedestres ou ciclistas saiam com lesões graves - eles podem ficar feridos, mas, segundo a entidade, estariam protegidos do "segundo impacto", que é quando a pessoa geralmente é jogada para trás do automóvel após a colisão. A maioria das lesões mais sérias acontece nesse momento, uma vez que o indivíduo é arremessado com força para o teto do carro ou para o asfalto.

Inicialmente, a "cola para humanos" ficaria posicionada na parte frontal do veículo, mas também poderia ser implementada em toda a região externa do automóvel, uma vez que boa parte dos acidentes no trânsito envolvem carros desgovernados que podem atingir as pessoas por qualquer lado. Segundo a patente, o usuário ficaria preso no veículo por tempo suficiente para que este consiga frear e evitar o tal segundo impacto.

Além disso, a tecnologia seria capaz de identificar apenas humanos e evitar que outros objetos fiquem presos ao material pegajoso. "Isso é basicamente uma variação de um airbag externo, que, de cara, parece ser uma boa ideia para veículos em baixa velocidade, como uma medida de segurança auxiliar", destacou Gabe Klein, que já atuou como chefe do departamento de transportes de Chicago, nos Estados Unidos. Ele também defende que esse tipo de recurso poderia ser usado já nos veículos atuais.

Google Patente

Rebecca Thompson, chefe de conscientização pública da American Physical Society, disse ao Gizmodo que a patente do Google não é perfeita, já que, dependendo da posição em que o carro atinge a pessoa, esta pode ter seus braços ou pernas puxados pelo adesivo e causar danos graves. Contudo, a pesquisadora acredita que a cola pegajosa pode reduzir o número de acidentes fatais, pois apenas uma colisão atingiria o usuário.

"Ser atingido por um carro apenas uma vez é muito melhor do que ser atropelado e ser jogado no chão ou ser impactado por outro veículo. [Por exemplo] Os ciclistas usam capacete não para se prevenirem da pancada com o carro, e sim para lidar com a possibilidade de bater a cabeça no chão, caso caiam", afirmou. Ainda de acordo com Rebecca, ter uma pessoa grudada no capô do carro pode prevenir que o motorista fuja do local sem prestar socorro, o que diminuiria os atropelamentos seguidos de fuga.

Em todo caso, o Google tem um longo caminho a trilhar até o lançamento de seu veículo autônomo - algo que tem sido discutido de forma intensa por órgãos de transportes nos EUA, que duvidam da capacidade de segurança oferecida por esses carros.

Para se ter uma ideia de como ainda estamos longe de vermos um automóvel desses nas ruas, no início deste ano, o Google e outras montadoras enviaram o primeiro relatório sobre testes com seus respectivos carros autônomos. De novembro de 2014 a novembro de 2015, as máquinas da gigante das buscas sofreram 341 incidentes em que, ou o carro entregou seu controle voluntariamente ao motorista humano, ou a pessoa teve de intervir para evitar um acidente. Os veículos também teriam sofrido algum tipo de batida pelo menos 13 vezes caso funcionários da companhia não tivessem intervindo.

Fonte: US Patent Office via Mercury News, Gizmodo

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