Google quer gerar mapas 3D de interiores a partir do seu smartphone

Por Redação | 16 de Maio de 2016 às 23h10
photo_camera Google ATAP

O Google Maps não apenas vingou como ainda se tornou algo ubíquo em grande parte do mundo civilizado. Mas o Google pretende agora dar um passo além: depois de gerar mapas com mais ou menos detalhes da maior parte da superfície terrestre, a companhia quer agora mapear também os interiores – e pretende fazê-lo com a ajuda do seu dispositivo movido a Android.

Por meio do chamado Project Tango, a ideia é gerar modelos tridimensionais para navegação dentro de locais como museus, centros comerciais, pontos turísticos e o que mais for possível – garantindo, de quebra, um precioso quinhão no cada vez mais expressivo nicho da nova realidade virtual.

E tratando-se do Google, é claro que a meta não poderia ser nada menos do que ambiciosa. Já neste ano de 2016, o Tango deve ser dramaticamente expandido, passando a flertar cada vez mais como status do Maps – conforme revelou uma fonte ligada à companhia, em entrevista ao site Bloomberg. Além de diversas publicações de vagas para desenvolvedores, o software de desenvolvimento do Tango ainda passou por uma atualização, com mais novidades previstas para a próxima edição da conferência I/O, a ser realizada no próximo dia 18.

project tango

O seu lugar em um novo reino digital

Em sua versão rematada, utilizar o Tango deve ser tão simples quanto apontar para algum ponto, dando início ao processo de mapeamento. Para tanto, a tecnologia trabalha apenas com uma câmera e um sensor de profundidade, ambos acomodados, como softwares, dentro de um smartphone ou tablet movido a Android.

Independentemente de ser um grande centro comercial ou um pequeno restaurante, o resultado deve ser um molde tridimensional dos arredores, gerando as mesmas facilidades que o Google Maps, mas em interiores – e em com precisão de centímetros, em vez de metros.

Grande parte da facilidade se dá, justamente, pela não necessidade de qualquer aparato externo para fazer o Tango funcionar. Mas as vantagens aparecem mesmo em relação ao Maps: a geração de mapas 3D não necessita de dado externos para atuar e entender os detalhes do ambiente. “O Tango é a extensão para os interiores da plataforma que eles possuem para mapeamentos externos”, conforme colocou o desenvolvedor de ambientes virtuais, Lex Dreitser, em entrevista ao Bloomberg.

project tango

Desenvolvimento colaborativo

Além de utilizar virtualmente qualquer celular com Android no planeta, o Tango também deve oferecer suporte para que desenvolvedores independentes criem suas próprias aplicações e serviços mirando nos novos universos virtuais. Dessa forma, é perfeitamente plausível o projeto de um game em que os personagens se distribuem por shoppings, enquanto que um app projetado para museus pode fazer acompanhar animações aos conteúdos exibidos, enquanto que um supermercado terá suas promoções realmente “saltando à vista”.

E isso deve demorar bem menos do que os famigerados carros voadores, aparentemente. Embora seu desenvolvimento tenha sido iniciado há apenas dois anos, o Tango deve em breve integrar os novos smartphones da Intel e da Lenovo – embora tenha sido projetado para funcionar sem grandes problemas em vários outros aparelhos. Ao final, o resultado deve ser uma imensa versão virtual tridimensional da maior parte dos interiores mundo afora, tanto dos ambientes quanto dos seus conteúdos.

project tango

Mas o Tango pode ainda favorecer imensamente a acessibilidade, facilitando consideravelmente a vida de deficientes visuais, conforme mostrou um projeto intitulado SubPac. Instalado nas costas dos usuários, como uma mochila, o SubPac traz um alto-falante que vibra de acordo com a aproximação de objetos, trazendo um sentido de navegação adicional (além da audição, eventualmente).

Potencial comercial

É claro que os ares visionários da Google não poderiam se manter sem uma forte base comercial. Senão, basta considerar o feito do Maps, com sua integração em diversos outros serviços, como Gmail, Calendar e Photos – funcionalidades que poderiam se beneficiar grandemente de mapas mais detalhados, permitindo a veiculação de anúncios de serviços e produtos baseados nas imediações.

“Se o Tango puder digitalizar cada um dos estabelecimentos de comércio físicos, então a Google terá de repente uma oportunidade exponencial de colocar propagandas muito relevantes com o contexto físico de cada espaço”, disse Nathan Pettyjohn, executivo chefe do comércio mobile Aisle411, em entrevista ao referido site.

project tango

Para a nuvem, e além

A julgar pelos planos da Google, o Tango pode facilmente se tornar uma pedra das grandes nos sapatos de desenvolvedoras como a HTC, com seu Vive, e da Oculus, com o Rift. Entretanto, a aposta da Google, simples em sua execução por smartphones e tablets, se torna progressivamente maior conforme a colaboração de usuários e desenvolvedores mundo afora venha a dar forma a uma autêntica versão tridimensional do planeta terra – pode dentro e por fora.

Naturalmente, será necessário acomodar uma quantia escandalosa de dados, todos alocados e fundidos para gerar a realidade virtual pretendida pela Google. Dessa forma, um enorme museu poderia ser construído virtualmente por inúmeros contribuidores, cada um entrando com uma parcela dos dados tridimensionais do ambiente – sendo que o conjunto dessas informações poderia ser baixado por um número ainda maior de usuários.

O Google pretende dar conta disso por meio de um novo sistema em desenvolvimento, o qual permitirá o compartilhamento de mapas entre aparelhos com o Tango. Entretanto, parece natural acreditar na nuvem como uma solução por excelência, conforme aposta Pettyjohn. “Neste momento, é necessário salvar esses arquivos de mapas no aparelho”, disse ele ao Bloomberg. Com uma base na nuvem, entretanto, seria possível acessá-los “sempre que fosse preciso, bastante baixá-los a qualquer momento”.

A possibilidade é endossada por anúncios de emprego publicados pela companhia, tal como um que mencionava a “dependência de infraestrutura em nuvem para armazenas, fundir e retornar dados de localização para aparelhos específicos do Project Tango” – cujo propósito era encontrar um engenheiro de software para trabalhar no projeto. Alguém que tivesse “experiência com o Google Maps e outros produtos relacionados à localização”. Pois é. Os dados estão lançados, ao que parece. Este deve ser o ano do Tango, portanto.

Fonte: Bloomberg, Project Tango.