Google nega publicamente as acusações de truste da União Europeia

Por Redação | 27.08.2015 às 17:00

A União Europeia (UE) acusa o Google de favorecer seus próprios serviços nos resultados exibidos em seu mecanismo de busca e, nesta quinta-feira (27), a companhia se posicionou publicamente sobre o fato, negando todas as acusações e afirmando que o mercado de buscas na Europa apresenta competitividade significante.

O grupo de países europeus tem regras antitruste bastante rígidas e, caso o Google seja considerado culpado, pode ser obrigado a pagar bilhões de dólares em multa. A discussão vem se desenrolando desde abril, quando Margrethe Vestager, presidente da comissão antitruste da UE, iniciou o processo contra a empresa dos Estados Unidos.

De acordo com a acusação, o Google teria abusado de seu grande domínio na região para favorecer alguns de seus próprios serviços, notadamente o seu comparador de preços Google Shopping.

Google se defende

A resposta veio em uma postagem intitulada “Aprimorar a qualidade não é anticompetitivo”, publicada hoje no blog do Google Europa. Nela, o vice-presidente sênior e chefe do departamento de advocacia do Google, Kent Walker, expõe as razões pelas quais a companhia acredita não estar violando nenhuma regra nem criando um truste no Velho Continente.

À acusação de que a exibição de resultados pagos junto aos resultados orgânicos desvia tráfego dos serviços de compras na web, Walker afirma que a Comissão Europeia (CE) não leva em conta os benefícios de tal prática.

“A declaração de oposição não leva em conta os significantes benefícios para os consumidores e os anunciantes, e não oferece uma teoria legal clara para ligar a alegação à solução oferecida”, afirma. E ele prossegue, alegando que o Google “usa análise de tráfego para refutar a acusação de que os anúncios e resultados orgânicos especializados causam danos à competição, evitando que comparadores de preço cheguem aos consumidores”.

Além disso, Walker destaca inúmeros concorrentes quando o assunto é a comparação de ofertas na web europeia, inclusive outras empresas dos Estados Undios, como eBay e Amazon. Ele ressalta ainda que, ao contrário do que alegam as acusações, o Google tem favorecido o surgimento de novos nomes no setor.

Google Shopping

Comparador de preços do Google: a semente da discórdia na Europa. (Foto: Reprodução/Google Shopping)

“O universo de serviços de compras viu um enorme aumento de tráfego a partir do Google, com diversos novos players e novos investimentos expandindo as opções do consumidor”, comenta o executivo. “O Google entregou mais de 20 bilhões de cliques gratuitos aos comparadores ao longo da última década em países da UE, com o tráfego livre crescendo cerca de 227% (e o tráfego total aumentando ainda mais)”, conclui.

Na postagem, o vice-presidente sênior da companhia ressalta ainda os investimentos em tecnologia e inovação realizados pelo Google, reafirmando que aprimorar a tecnologia não tem nada a ver com reduzir a competição dentro de um mercado. Por fim, Walker termina o texto conclamando, mais uma vez, a inocência de sua empresa.

“Nós acreditamos que as conclusões preliminares da declaração de oposição estão erradas do ponto de vista de fato, de direito e de questões econômicas. Estamos ansiosos para discutir a nossa resposta e as nossas provas com a Comissão Europeia, com interesse em promover a escolha dos usuários e a competição aberta”, finaliza Kent Walker.

Fonte: Kent Walker/Google Europe (blog)