Google não quer mais briga com o mercado jornalístico

Por Redação | 28.04.2015 às 12:30
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Demorou, mas aconteceu. Depois de mais de dez anos operando o News, seu agregador de notícias, o Google finalmente veio a público para pedir desculpas à imprensa e afirmar que deseja encerrar a antiga guerra que vem sendo travada com jornais e empresas de mídia. A mudança de postura aconteceu em uma palestra de Carlo D’Asaro Biondo, gerente de relações estratégicas da gigante, durante o evento Financial Times Digital Media.

Como sempre acontece em qualquer evento de mídia digital, a presença do Google era uma das mais esperadas. E no palco, o executivo admitiu que a empresa errou bastante na estratégia inicial do produto, que foi alvo de duras críticas e chegou a receber até mesmo processos na justiça do Velho Continente. A razão para tudo isso seria o fato de que o agregador estaria não apenas reproduzindo conteúdo, mas também desviando visualizações das páginas originais e, com isso, trazendo para si possíveis contratos de publicidade.

Nada disso, porém, estava nos planos originais para a plataforma. Segundo Biondo, a ideia era investir em parcerias e um bom relacionamento com as grandes empresas de mídia, para que novos produtos pudessem ser criados a partir daí. O que ela não esperava, por outro lado, é que a cabeça da audiência europeia fosse ser bem diferente do que foi visto mais tarde, na chegada do Google News aos EUA, por exemplo.

Nos Estados Unidos, nomes como The New York Times conseguiram ampliar em muito seu público a partir da exibição na plataforma, trazendo mais visitas para o site por estarem aparecendo, agora, diante de uma plateia global. O mesmo, porém, não aconteceu com nomes mais tradicionais da imprensa francesa e italiana, que por diferenças de linguagem, estilo ou cobertura, acabaram mais perdendo do que ganhando – até mesmo seus leitores fieis passaram a ver as notícias por meio do agregador, e não acessavam mais o site.

Mesmo fazendo seu mea culpa, Biondo disse que não esperava tamanha hostilidade de parte da imprensa. Segundo ele, o Google News foi pensado, também, como uma ferramenta colaborativa, um aspecto que muitos dos críticos acabaram nem mesmo utilizando, preferindo partir para a briga logo de uma vez. A situação o fez pensar se o que ficou faltando não foi, talvez, mais esforço em apresentar o produto e como tudo funcionaria, em vez de falar apenas de suas funções.

Agora, a ideia é mudar a situação como um todo. De acordo com o executivo, pesquisas recentes com as empresas envolvidas na plataforma taxaram o Google como uma companhia “complicada de se trabalhar” e, muitas vezes, “imprevisível”. Daqui em diante, então, o objetivo é tratar de forma mais direta com quem está participando das iniciativas de inovação, estejam elas em seus últimos momentos de existência ou ainda prosperando como novas partes-chave das estratégias do Google.

O primeiro passo nessa renovação de parcerias é o projeto Digital News Initiative, que vai investir € 150 milhões (cerca de R$ 475 milhões) ao longo dos próximos anos na criação de novos produtos de informação digital. Ao lado de oito jornais europeus, a ideia é treinar profissionais que estão chegando agora à profissão e fomentar novas maneiras de se pensar o jornalismo e o trabalho com a informação. Para muita gente, esse fomento à produção noticiosa de qualidade vem em resposta, inclusive, aos recentes processos que levaram o Google a, obrigatoriamente, retirar do ar resultados de pesquisas que trouxessem informações inverídicas ou caluniosas a seus usuários.

Mas, acima de tudo, a grande lição que fica para Biondo é que conhecimento prévio pode, muitas vezes, não significar nada. O comportamento da audiência pode ser inesperado e, na maioria das vezes, minar um produto que tem tudo para dar certo. E é aí que, esperam os parceiros, deve estar o grande foco do trabalho do Google daqui em diante, pelo menos quando se fala no News.

Fonte: Business Insider