Google investe US$ 22 milhões em sistema operacional para feature phones

Por Felipe Demartini | 28 de Junho de 2018 às 10h55
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No mundo dos smartphones, a guerra é entre iOS e Android. Mas existe toda uma linhagem de aparelhos sem redes sociais ou mensageiros que ainda são voltados para propósitos quase únicos como ligações e mensagens de texto, como no passado. E a Google acaba de anunciar um investimento de US$ 22 milhões nessa parcela de mercado, de olho em países emergentes e no público que tem pouco interesse em soluções inteligentes demais ou não é capaz de pagar por elas.

A empresa revelou nesta quinta-feira (28) que está apostando no KaiOS, um sistema operacional que nasceu como uma versão mais leve e simples do Firefox OS. Hoje, ele é o motor de aparelhos bem-sucedidos no mercado de feature phones, como os modelos 3310 e 8110, da Nokia, além de funcionar em dispositivos de empresas locais como TCL e Micromax. A ideia, entretanto, é tornar os vulgarmente chamados dumbphones menos “burros”.

Como parte da parceria, cujo aporte financeiro vai garantir o desenvolvimento contínuo da plataforma, serviços da Google passarão a fazer parte do pacote padrão do sistema operacional, mesmo que em versão simplificada. O YouTube, Mapas e busca virão pré-instalados nos aparelhos, assim como a assistente de voz da companhia, que permitirá a realização de ligações ou a resposta a mensagens por meio de comandos sonoros.

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Fazer tudo isso, inclusive, nem deve ser muito difícil. Apesar de voltado para uma arquitetura mais simples, o KaiOS tem compatibilidade total com aplicações web, o que significa que softwares que usam HTML5, CSS e Javascript podem funcionar perfeitamente nele. Isso vai exigir pouco desenvolvimento adicional para as soluções da Google, precisando apenas de adaptação por conta de tamanho de tela e resoluções melhores.

Com a união, a expectativa é entregar os serviços da gigante para um ecossistema de 40 milhões de pessoas – é esse o total de usuários de aparelhos rodando o KaiOS em todo o mundo, mas, principalmente, em países como China e Índia. Não coincidentemente, é claro, são esses os dois mercados emergentes nos quais as empresas mobile estão mais e mais de olho e onde há maior possibilidade de crescimento, mesmo que não no campo dos mais lucrativos topos de linha.

Além disso, para os desenvolvedores do KaiOS, a busca é pelo primeiro bilhão de usuários, algo que a companhia considera atingível ao longo dos próximos anos por meio de parcerias como essa. A união com operadoras internacionais e fabricantes de dispositivos mais baratos também entra aqui como uma forma de levar os celulares a mais países e novos clientes.

A inciativa também pode ser considerada paralela aos esforços da Google com o Android Go, a versão mais leve do sistema operacional voltada para dispositivos com 1 GB de memória RAM. Além disso, a companhia trabalha com grandes empresas, redes sociais e serviços para o lançamento de versões mais leves de seus aplicativos, de forma a aumentar os índices de atualização e conexão dos usuários que possuem dispositivos mais modestos.

O abismo entre o preço e a capacidade dos features phones e até mesmo os smartphones mais baratos, porém, ainda é grande. Com o investimento, a Google parece começar a construir uma ponte, com base na ideia de que, tendo acesso às tecnologias, os usuários pedirão mais e mais dela, investindo em aparelhos melhores a cada ciclo de troca. Só isso já explica porque o investimento no KaiOS não pode ser visto como um apoio à concorrência, mas sim uma aposta de possível futuro.

Fonte: KaiOS

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